Política
Publicado em 20/02/2025, às 09h18 Rebeca Santos
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), patrocinou emendas que bancaram obras investigadas pelo Ministério Público Federal sob suspeita de desvios em ao menos duas operações desde 2015.
Após assumir a presidência da Câmara, Motta tem trabalhado para resolver o impasse relacionado à liberação de emendas, especialmente após o ministro Flávio Dino suspender pagamentos e exigir maior transparência no repasse desses recursos.
Segundo informações do Metrópoles, enquanto atua nos bastidores para mediar a questão, Motta carrega o histórico de emendas que custearam obras problemáticas, incluindo uma que resultou na delação de um empresário contra ele – embora essa delação nunca tenha sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2015, a Operação Desumanidade, conduzida pelo MPF, investigou desvios na construção de 11 Unidades Básicas de Saúde (UBS) na Paraíba, parte dos quais teria sido financiada por emendas de Motta.
Familiares do deputado, como sua avó e sua mãe, também foram alvos da investigação. O caso foi posteriormente arquivado pela Justiça, sem que o STF analisasse a delação do empresário envolvido.
José Aloysio Machado da Costa Júnior, dono da empresa Soconstrói, decidiu delatar após ser alvo da operação.
Em depoimento gravado em vídeo, ele afirmou que 20% dos valores desviados das obras das UBSs foram usados na campanha eleitoral de Hugo Motta em 2014. O acordo de delação de Costa Júnior foi encaminhado ao STF, mas nunca foi homologado, o que impediu que Motta fosse formalmente investigado com base nos relatos do empresário.
Anos depois, em setembro de 2024, outra obra financiada com emendas de Hugo Motta foi alvo de investigação.
A Operação Outline, conduzida pela Polícia Federal, MPF e Controladoria-Geral da União (CGU), mirou a restauração da Alça Sudeste e da Avenida Manoel Mota, em Patos (PB), no valor de R$ 5 milhões.
Os recursos para a obra vieram de uma emenda de 2020 enviada por Motta por meio do chamado "orçamento secreto", mecanismo de emendas do relator. Até o momento, Motta não é investigado nesse caso.
Esse tipo de emenda, que está no centro do embate entre o STF e o Congresso, é justamente o que Hugo Motta, como presidente da Câmara, busca resolver, buscando equilibrar as demandas por transparência e a continuidade do repasse de recursos.
Classificação Indicativa: Livre
som poderoso
Som perfeito
Smartwatch top
Qualidade JBL
iPhone barato