Política

Impeachment de governador investigado trava nas mãos de deputados suspeitos da mesma fraude

Antonio Gonçalves/Governo do Tocantins
Afastamento de Barbosa segue e clima de instabilidade política se intensifica com a indefinição sobre o impeachment na Aleto.  |   Bnews - Divulgação Antonio Gonçalves/Governo do Tocantins
Thiago Teixeira

por Thiago Teixeira

thiago.teixeira@bnews.com.br

Publicado em 21/12/2025, às 08h40



O desenrolar do processo de impeachment contra o governador afastado Wanderlei Barbosa (Republicanos) vive um momento de tensão na Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto), onde a tramitação esbarra no fato de que muitos dos parlamentares que poderiam votar pela admissibilidade do processo já foram alvos de investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Fames-19. 

Barbosa foi afastado do cargo por 180 dias no início de setembro por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em meio a inquéritos que apuram fraude e desvio de recursos públicos destinados à compra de cestas básicas e outros insumos durante a pandemia de covid-19. Mandados de busca e apreensão chegaram inclusive aos gabinetes de deputados estaduais na Assembleia, no que a PF considera aprofundamento das apurações. 

O pedido de impeachment precisa ser admitido pela Mesa Diretora da Aleto e, depois, aprovado em plenário — o que exige pelo menos metade dos votos dos 24 deputados. Porém, a etapa política tem esbarrado no fato de que uma parte significativa dos parlamentares se viu envolvida nas investigações da PF, o que cria um cenário de cautela e reticência entre os colegas para assumir a liderança do processo. 

A situação foi agravada por rumores nos bastidores de que haveria uma lista de nomes dispostos a assinar a abertura do impeachment — algo que, até o momento, não se materializou formalmente. Rondando a Aleto, circulam informações sobre negociações discretas, mas sem consenso. 

O primeiro pedido de impeachment apresentado por um deputado estadual foi protocolado pelo Prof. Júnior Geo (PSDB) em novembro, que defendeu na tribuna que a Assembleia cumpra seu papel institucional diante da gravidade das suspeitas que cercam o afastado governador. 

Desde então, outros pedidos chegaram à Casa, incluindo representações de advogados e cidadãos que apontam supostos crimes de responsabilidade ligados às investigações federais. 

A demora em encaminhar formalmente o processo de impeachment e a indefinição sobre a votação na Assembleia têm alimentado um clima de instabilidade política no Tocantins. Enquanto isso, o próprio afastamento cautelar imposto pelo STJ segue em vigor, mantendo Barbosa fora do exercício do cargo. 

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