Política
O governador Jerônimo Rodrigues (PT) jogou capoeira nesta terça-feira (5) durante a assinatura do decreto de regulamentação da Lei Moa do Katendê. O ato de sanção da lei 14.341 ocorreu no Colégio Estadual de Tempo Integral Zumbi dos Palmares, localizado na Tancredo Neves, em Salvador. Jerônimo também deu início ao programa Capoeira nas Escolas.
A secretária de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais Ângela Guimarães, que também esteve presente no evento, destacou ao Bnews que a apresentação do decreto que regulamenta a lei é uma reivindicação histórica e coloca a Bahia na dianteira em prol da valorização da capoeira.
“Essa lei que é um marco onde a Bahia sai na frente, uma reivindicação histórica do movimento negro, dos movimentos de capoeira, dos nossos diversos mestres e mestres que sabem a importância da capoeira para a formação dos valores, para a transformação dos nossos bairros, para a formação da nossa juventude. Dessa vez a capoeira [está] na escola. Nós temos esse programa de escola de tempo integral e nada mais apropriado que o conjunto das escolas da rede estadual puderem ter sua disposição, todo esse conhecimento acumulado pela nossa ancestralidade africana e afro-brasileira, o nosso histórico de lutas e resistência ao processo escravista, mas também a capoeira como elemento formador de projetos de vida”.
Ângela Guimarães pontuou que a capoeira proporciona não apenas um condicionamento físico, mas você também confere acesso à cultura afro-brasileira, à educação antirracista e à formação de valores, questões que considera fundamentais, especialmente para a juventude negra. “É uma junção entre educação, cultura, arte, é um fortalecimento do Governo para fortalecer ainda mais a juventude. Com certeza, o nosso foco é a juventude, a nova geração que incorpora esse conhecimento vai ser multiplicadora, mas também um marco de valorização dos nossos mestres e mestras”.
A capoeira, segundo destacou a secretária, há um século, era considerada proibida e perseguida. Dessa forma, o reconhecimento da prática, de acordo com ela, se torna ainda mais importância.
Sobre Moa do Katendê, Ângela Guimarães celebrou a oportunidade de poder homenageá-lo. Destacando a importância do mestre para a cultura baiana, a secretária explicou que ter uma lei em seu nome transmite uma mensagem de paz e respeito, evitando extremismos e promovendo a valorização da diversidade.
“Um ícone da nossa cultura afro-brasileira, um mestre da capoeira, um compositor, um cantor, um músico extraordinário, uma pessoa da paz e do bem que durante toda a sua trajetória promoveu esses valores, formou gerações, foi um dos responsáveis pela reafricanização do Carnaval de Salvador por meio dos afoxéis da sua atuação, dos blocos afro, que infelizmente, de forma cruel e covarde, foi tirado do nosso convívio exatamente naquele contexto de ascensão do extremismo fascista no nosso Brasil”.
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