Política
A ex-deputada federal Joice Hasselmann afirmou nesta quinta-feira (22), durante entrevista ao programa Se Liga Bocão, da Rádio Baiana FM, que decidiu rever sua posição eleitoral diante do crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. Segundo ela, o avanço do senador representa uma ameaça à democracia brasileira.
Joice disse que, inicialmente, pretendia anular o voto por causa de sua oposição histórica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eu tinha declarado, há algum tempo, que botaria nulo, até porque achei que não ia ser tão acirrada essa disputa”, afirmou. Ela relatou que mudou de avaliação quando percebeu que Flávio poderia chegar à Presidência.
“Quando eu vi que, de fato, o Flávio cresceu a ponto de ameaçar nossa democracia”, declarou a ex-parlamentar, que fez duras acusações contra o senador. “O Flávio, ele é miliciano, ele é bandido, ele é ladrão”, afirmou, acrescentando que o candidato estaria envolvido em diferentes níveis de corrupção. As declarações são de responsabilidade da entrevistada.
Joice também afirmou conhecer a família Bolsonaro de perto e disse que, durante o governo de Jair Bolsonaro, já se recusava a tirar fotografias com Flávio por considerá-lo corrupto. A ex-deputada argumentou ainda que, caso o senador seja eleito, poderá tentar permanecer no poder por meio da reeleição, apesar de declarações contrárias atribuídas a ele.
“Quem acredita nisso? O pai dele também falou”, questionou, ao contestar a possibilidade de Flávio abrir mão de disputar um segundo mandato. Ela também demonstrou preocupação com a composição do Congresso Nacional, que, em sua avaliação, poderia favorecer medidas autoritárias. “Ele pode dar um golpe no Brasil dentro da lei, entre aspas, porque a extrema direita tomou conta do Congresso Nacional”, declarou.
Apesar das críticas ao bolsonarismo, Joice reafirmou sua identificação histórica com a direita e lembrou sua atuação política ao lado da Operação Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro, de quem é biógrafa. “Eu sempre fui uma jornalista de direita e sempre venho daquele enfrentamento”, disse, referindo-se à oposição a Lula e ao PT, com quem afirma travar uma disputa ideológica há quase 25 anos.
A ex-deputada também criticou a extrema direita, que classificou como “louca”, “burra” e movida pelo ódio. Ao justificar sua oposição a esse campo político, afirmou ter sido vítima de violência. “Eu, inclusive, fui vítima de tudo isso, inclusive de um espancamento que poderia ter me levado à morte”, declarou.
Durante a entrevista, Joice apresentou sua mudança de posicionamento como resultado de uma reflexão sobre os riscos que atribui a uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Ela ressaltou que sua oposição ao senador não significa abandonar suas convicções de direita, mas rejeitar o que considera uma ameaça democrática representada pela extrema direita.
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