Política

Jornalista da Globo acusa Judiciário de 'interferir na eleição' após cancelamento de debate

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Jornalista Júlia Duailibi citou decisões do STF e do TSE e questionou a atuação da Justiça após a Globo cancelar o último debate presidencial  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Redes sociais
Antonio Dilson Neto

por Antonio Dilson Neto

Publicado em 01/10/2026, às 22h44 - Atualizado às 22h47



A jornalista Julia Duailibi afirmou ao vivo, durante o Em Pauta, da GloboNews, que o Judiciário está “interferindo na eleição” após uma sequência de decisões judiciais que alterou as regras e os participantes do debate presidencial que seria realizado pela TV Globo nesta quinta-feira (1º). A emissora acabou cancelando o encontro depois de receber determinações do STF e do TSE relacionadas ao evento.

Durante a transmissão, Duailibi classificou como “preocupante” o papel desempenhado pelo Judiciário no episódio e questionou a atuação da Justiça em uma disputa eleitoral.

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E mais preocupante, que é o pano de fundo de tudo isso, é o papel do Judiciário nisso, a interferência do Judiciário de maneira inédita nesse contexto”, afirmou a jornalista.

Duailibi citou especificamente a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a inclusão do candidato Renan Santos (Missão) no debate. A decisão ocorreu depois de pedidos apresentados ao Judiciário para garantir a participação do candidato.

A jornalista chamou atenção para a origem do processo analisado por Gilmar Mendes e afirmou que a ação estava relacionada originalmente a uma disputa eleitoral no Paraná, envolvendo o partido Novo e o deputado Zeca Dirceu.

E o Judiciário está fazendo isso por uma simples razão, porque está com interesse de interferir na eleição, porque o Judiciário se envolveu”, declarou.

Cancelamento do debate

O cancelamento do debate ocorreu depois de duas decisões judiciais. Gilmar Mendes determinou que Renan Santos fosse incluído no confronto, enquanto a ministra do TSE Estela Aranha proibiu a Globo de exibir o púlpito vazio reservado a Lula, que havia informado que não participaria do debate.

Flávio Bolsonaro também desistiu de comparecer, alegando “interferência do Judiciário”.

Diante das mudanças, a emissora decidiu cancelar o programa e declarou que as decisões geraram insegurança jurídica para a realização do confronto.

Em nota, a Globo agradeceu aos candidatos participantes e pediu desculpas ao eleitorado brasileiro.

"A Globo tem longa tradição na organização de debates eleitorais. Nosso propósito é promover a discussão de ideias para o Brasil. Oferecer aos eleitores a oportunidade de comparar projetos. Nosso dever é o de promover a democracia.

Mas as sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate causam insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais.

Por essa razão, a Globo decidiu cancelar o debate desta noite.

A Globo agradece aos demais candidatos e faz esses esclarecimentos em respeito aos eleitores e ao público que esperavam ter a oportunidade de ouvir propostas para o futuro do país."

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