Política
por Humberto Sampaio e Daniel Serrano
Publicado em 02/09/2025, às 11h14 - Atualizado às 11h16
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira (2) o julgamento dos réus do núcleo 1 que pretendia dar um golpe de Estado após a eleição de 2022, que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como um dos réus.
Esta é primeira vez que há um julgamento contra uma tentativa de golpe. Em estrevista ao BNews, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que esta é a primeira vez que vê uma ação dessa natureza no Brasil.
"Eu estou aqui há 40 anos. Nunca vi um momento como esse, nunca vi, desde que aqui cheguei. Eu tenho o maior respeito pela independência dos Três Poderes. A independência, a soberania de um país, tem que ser respeitada", disse.
"No momento, o Supremo [Tribunal Federal] é que está analisando a situação do ex-presidente e a decisão que ele tomar tem que ser cumprida. É assim que se fortalece a própria democracia. Decisão do Supremo, goste ou não goste, tem que ser cumprida", emendou.
A imprensa internacional vem repercutindo o julgamento contra Bolsonaro e os demais réus da trama golpista, citando o Brasil como um exemplo de um país onde as instituições se fortaleceram para combater qualquer tipo de ruptura constitucional.
Na última semana, a revista britânica 'The Economist' classificou o julgamento contra o ex-presidente brasileiro como uma “lição de democracia” para os Estados Unidos. Já o jornal dos Estados Unidos The Washington Post fez uma análise do embate comercial e diplomático entre Brasil e os EUA, em meio ao julgamento contra Bolsonaro.
Para o senador Paulo Paim, o STF e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão dando respostas firmes à tentativa de golpe de Estado e às investidas do presidente dos EUA, Donald Trump, que vem usando o tarifaço contra o Brasil para pressionar o judiciário brasileira à suspender os processos contra Bolsonaro.
"Eu entendo que sim [o Brasil vive um novo momento neste momento], porque essa ocupação, vamos dizer, indevida do Trump, querendo interferir no resultado do próprio Supremo Tribunal Federal, tem tido respostas muito firmes do Supremo e do presidente Lula e tem mostrado que cada um no seu quintal, cada um vai resolver as questões do seu país", disse o senador petista.
"Por que o presidente Lula cresceu tanto nas pesquisas? Porque a população também pensa assim, não tem que haver interferência. Esse tarifaço absurdo que o Trump fez trouxe um prejuízo enorme para o povo brasileiro. Cria um problema seríssimo para a nossa economia. Tudo devido ao que aconteceu a partir de 8 de janeiro", acrescentou.
Com o julgamento contra o ex-presidente, a bancada de oposição no Congresso Nacional vem aumentando a pressão para que seja concedida uma anistia aos condenados nos atos golpistas do dia 8 de janeiro de 2023, o que poderia favorecer Bolsonaro.
Apesar da pressão, Paim acredita que "não há clima" para debater a anistia nem na Câmara e nem no Senado.
"O que eu mais ouço aqui dentro é que não há clima para um debate desse. O projeto de anistia, no meu entendimento, não passa nem na Câmara e nem no Senado", afirmou.
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