Política

Licitação da COP30 é alvo de investigação por suspeita de corrupção; deputado é ligado ao esquema

Senado Federal
As empresas têm ligações com o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA)  |   Bnews - Divulgação Senado Federal
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 06/08/2025, às 08h24



Duas empresas, J.A Construcons e JAC Engenharia, investigadas por suspeita de corrupção em uma licitação para a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), já embolsaram pelo menos R$ 911 milhões do governo do Pará, segundo informações da Procuradoria-Geral da República (PGR).

As empresas têm ligações com o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA) e estão no centro de um suposto esquema de desvios financeiros.

Segundo informações do Metrópoles, as investigações apontam que as contas bancárias das empresas foram usadas pelo policial militar Francisco Galhardo, preso em 2024, às vésperas das eleições municipais, ao sacar R$ 5 milhões em espécie.

Evidências encontradas no celular de Galhardo levantaram suspeitas sobre irregularidades na licitação da COP30 conduzida pelo governo paraense.

A J.A Construcons faz parte do consórcio Canal Benguí, junto com a OCC Participações e Construções, que venceu uma licitação em agosto de 2023 para a “Adequação dos Canais Bengui, Nova Marambaia e Rua das Rosas (Mangueirão)”, no valor de R$ 123,3 milhões.

A PGR revelou que, entre 2020 e 2024, as empresas J.A Construcons e JAC Engenharia receberam cerca de R$ 1 bilhão em notas empenhadas pelo governo do Pará, comandado por Hélder Barbalho (MDB), sendo R$ 911 milhões já pagos.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que a movimentação financeira das contas da J.A Construcons “sugere a ocorrência de desvio de recursos públicos e/ou fraude em processos licitatórios”.

“Suspeitamos de um consórcio de empresas, possivelmente utilizadas para desvincular origem e destinatário final dos recursos, os quais, ressaltamos, a possibilidade de desvio de recursos públicos e fraude em licitações”, diz o Coaf.

A PGR também destaca que, embora a esposa do deputado Antônio Doido seja a sócia formal da J.A Construcons, ela seria uma pessoa interposta, representando os interesses do marido.

A Procuradoria pediu a investigação de Antônio Doido, do PM Francisco Galhardo e do secretário de Obras Ruy Cabral, alegando que as empresas integram um esquema de corrupção em contratos estaduais.

“Além de as duas pessoas jurídicas que formam o consórcio serem suspeitas de pertencer ao deputado federal (Antônio Doido), diversos elementos circunstanciais adicionais reforçam a suspeita de corrupção de agentes públicos para viabilizar a adjudicação da obra”, afirma a PGR.

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