Política
por Daniel Serrano e Carolina Papa
Publicado em 18/12/2025, às 17h11 - Atualizado às 17h12
O líder da oposição na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), Tiago Correia (PSDB), teceu duras críticas à quantidade de projetos enviados em regime de urgência pelo governador Jerônimo Rodrigues. Para o deputado, a gestão estadual “atropelou” os trâmites da Casa.
Em entrevista a jornalistas na manhã desta quinta-feira (18), Tiago Correia pontuou que também o crescimento expressivo dos pedidos de empréstimos, feitos por Jerônimo Rodrigues, foram aprovados ao longo do ano.
Segundo o parlamentar, a última solicitação para operação de crédito, no valor de R$ 720 milhões, teria chegado à Assembleia “no apagar das luzes”, sem amplo conhecimento prévio nem mesmo entre integrantes do governo, comprometendo o debate legislativo e a transparência das decisões.
“O governo enviou, neste ano, 64 projetos, sendo 58 com pedido de urgência — um instrumento de caráter excepcional, mas que, na prática, virou padrão no envio das mensagens do Executivo. Isso acaba atropelando e, de certa forma, desrespeitando a Assembleia, já que esses projetos não tramitam pelas comissões e vão direto ao plenário”, disse o líder durante o balanço de 2025 em café da manhã com a imprensa.
“Nesse último projeto que chegou agora, também identificamos o desconhecimento de parte dos próprios membros do governo. Trata-se de um empréstimo de R$ 720 milhões, aprovado ontem, praticamente no apagar das luzes. Tenho a impressão de que nem o próprio governo tinha a real dimensão da quantidade de projetos encaminhados nem do volume de recursos que estava sendo autorizado a contratar”, acrescentou.
Tiago Correia aponta que a quantidade de empréstimos aprovados ocasionou mudanças recentes no Plano Plurianual (PPA) e na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Os ajustes refletem o aumento da dívida pública, algo que, segundo o deputado, não estava previsto inicialmente pelo próprio Executivo.
Outro ponto destacado é o alto número de pedidos de empréstimo. Dos projetos aprovados em regime de urgência, 23 tratam de operações de crédito, o que representa quase metade das matérias encaminhadas. A oposição afirma que houve uma aceleração desses pedidos no segundo semestre, alterando significativamente o nível de endividamento do Estado.
“O PPA é feito para quatro anos, projetando receitas e despesas. Com essa quantidade de empréstimos, a dívida precisou ser revista. Um dos ajustes feitos no PPA foi justamente esse. Era um plano muito extenso, mas as dívidas foram aumentando, algo que nem o próprio governo previa. Acredito que o governo sequer imaginava que encaminharia tantos projetos, e a prova disso é que enviou mais um na semana passada, o último deles”, destacou.
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