Política

Líder evangélico apoiou acordo do INSS com entidade acusada de fraude que recebeu R$ 221 milhões

Agência Brasil
A entidade está sendo investigada por possíveis fraudes em descontos de aposentadorias  |   Bnews - Divulgação Agência Brasil
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 01/02/2026, às 08h42



Silas Câmara, um dos principais líderes da bancada evangélica no Congresso e deputado federal pelo Republicanos-AM, esteve presente na assinatura de um acordo entre o INSS e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA).

A entidade está sendo investigada por possíveis fraudes em descontos de aposentadorias. Depois do acordo, o CBPA recebeu R$ 221 milhões vindos do INSS, entre março de 2023 e abril de 2025.

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Foi nesse último mês que começou a Operação Sem Desconto.Silas foi junto com o presidente do CBPA, Abraão Lincoln Ferreira da Cruz, em reuniões com os chefes do INSS no começo de 2021, ainda no governo de Jair Bolsonaro.

Em maio daquele ano, ele participou da cerimônia em que foi assinado, segundo o Diário Oficial, um “protocolo de interesse (...) com a finalidade de efetivar descontos nos benefícios previdenciários” dos membros da CBPA, no valor de até 2,5% do benefício.

“O acordo de cooperação técnica com o INSS traz um novo momento para mais de 1 milhão de pescadores e pescadoras artesanais do país”, escreve

O acordo entrou em vigor em julho de 2022, e os descontos começaram em março de 2023, já no governo Lula. Entre junho e julho de 2023, o número de associados da CBPA com descontos nos pagamentos subiu de 35 mil para mais de 220 mil.

Com isso, o dinheiro que a entidade recebia do INSS por mês pulou de cerca de R$ 30 mil para R$ 7,5 milhões. No início de 2025, esse valor chegou a R$ 9,5 milhões mensais.

Quando a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) iniciaram a investigação, a CBPA tinha 442 mil associados com descontos nos vencimentos, que eram repassados para a entidade.

A CGU conversou com uma amostra de 32 associados em 2024, e nenhum deles disse que autorizou os descontos. De acordo com a CGU, uma organização ligada a Silas Câmara não conseguiu explicar a situação de nenhum desses associados.

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