Política
por Daniel Serrano
Publicado em 02/07/2026, às 18h25 - Atualizado às 18h25
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não poupou críticas a família Bolsonaro depois que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou uma carta ao governo dos Estados Unidos pedindo que adie a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros até após as eleições presidenciais de 2026.
Em uma publicação feita nas redes sociais nesta quinta-feira (2), Lula classificou a iniciativa como uma atitude de "traidores da Pátria" e acusou o clã Bolsonaro de agir com "entreguismo" ao tentar submeter o Brasil aos interesses norte-americanos.
Nas redes sociais, o presidente rejeitou a proposta e afirmou que não existe justificativa para a imposição de tarifas contra o Brasil, seja agora ou após as eleições.
"É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano. Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer nação do mundo", escreveu Lula.
"Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois", acrescentou.
Lula ainda acusou a família Bolsonaro de ter incentivado a adoção de medidas contrárias ao Brasil e criticou posições atribuídas ao grupo sobre temas econômicos.
"O mais absurdo é saber que a origem disso tudo foi motivada pela própria família Bolsonaro, que defendeu publicamente o aumento de tarifas contra os produtos brasileiros. Defender o fim do Mercosul (...) é outro ataque ao interesse do povo brasileiro. Como se não bastasse, querem entregar o Pix a interesses estrangeiros", disse.
"Não vão conseguir. O Pix é uma conquista do Brasil e não vamos abrir mão dele. Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros", concluiu.
É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos, como fica claro no documento enviado hoje por um de seus integrantes ao governo norte-americano.
— Lula (@LulaOficial) July 2, 2026
Nós sempre vamos dialogar de igual pra igual com qualquer…
A manifestação de Lula ocorreu após a divulgação de um documento de 86 páginas entregue pelo senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), órgão responsável pela investigação comercial contra o Brasil.
No texto, Flávio diz que aplicação imediata de uma taxa de 25% sobre produtos brasileiros acabaria fortalecendo o governo Lula, e pede que qualquer decisão seja adiada para após a eleição deste ano.
De acordo com o senador, pesquisas de opinião indicariam que momentos de maior tensão comercial favoreceram a popularidade do atual governo.
"Adotar uma medida irreversível agora representa um mau uso do timing para qualquer instrumento de pressão", afirma o documento.
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