Política
O presidente e candidato à reeleição, Lula (PT), criticou a independência do Banco Central (BC) e defendeu o pacote de medidas econômicas de sua campanha, afirmando que as iniciativas não deixarão uma “bomba fiscal” para o próximo governo, em 2027. Durante sabatina no SBT, nesta segunda-feira (19), o petista também reiterou a proposta de comprar dívidas de cidadãos junto ao sistema financeiro “a preço de banana”, por meio de um leilão, após três versões do Desenrola não terem solucionado a crise de inadimplência.
Questionado se as novas medidas poderiam agravar o quadro fiscal e sobre quais fontes de recursos financiariam cada iniciativa, Lula afirmou que as despesas estão previstas no orçamento, embora não tenha indicado as fontes cobradas na entrevista. A entrevistadora mencionou o risco de deixar uma “bomba” para a próxima gestão. “Tudo que está sendo aprovado está nas possibilidades fiscais do orçamento. Não tem nada [de bomba]. Nós estamos entregando um orçamento com superávit primário. Eu não sei de onde você tirou essa ideia de que é uma bomba que vai estourar”, declarou.
Lula também recorreu ao histórico de seus governos para defender sua condução das contas públicas. Segundo ele, durante seus dois primeiros mandatos, o país registrou superávit primário em todos os anos. O presidente afirmou ainda que recebeu um país com déficit de 12,8% e que o orçamento atual prevê superávit de 0,1%.
“É uma demonstração de que eu não preciso aprender responsabilidade com a Faria Lima. Responsabilidade eu tenho, porque eu sei, como pai de família, como trabalhador de fábrica que recebe salário, que a gente não pode gastar o que a gente não tem”, disse.
Na sequência, o petista criticou a autonomia do Banco Central, argumentando que o modelo limita a capacidade do governo de discutir a política monetária com a autoridade responsável. Lula comparou a atual estrutura à experiência de seus mandatos anteriores, quando, segundo ele, manteve Henrique Meirelles na presidência do BC durante oito anos, sem substituí-lo.
“Mas não precisava ser independente porque, na medida que o governo indica, o governo tem que discutir a política monetária com o Banco Central. Você não pode discutir a política monetária porque o Banco Central é independente”, afirmou.
Para Lula, a autonomia da instituição dá ao sistema financeiro maior influência sobre o debate econômico e sobre as cobranças em torno do déficit público. “Quem discute? Quem discute? O sistema financeiro. É isso que faz pressão todo santo dia”, declarou.
O presidente também acusou o setor financeiro de concentrar a atenção no déficit fiscal sem dar o mesmo destaque aos pagamentos feitos pelo governo ao próprio sistema. “Começa janeiro falando de déficit fiscal e termina o ano falando de déficit fiscal. Só não fala do que o governo paga para eles”, concluiu.
Classificação Indicativa: Livre
Top dos Tops
Café perfeito
Notebook Poderoso
cinema em casa
Super descontos