Política

Lula quebra o silêncio sobre Milei e responde com ironia; veja declaração

Ricardo Stuckert/PR
O governo brasileiro expressa insatisfação com as ofensas de Milei durante visita oficial ao Brasil, destacando a amizade histórica entre os países.  |   Bnews - Divulgação Ricardo Stuckert/PR
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 27/07/2026, às 18h15 - Atualizado às 18h15



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou nesta segunda-feira falar sobre o comportamento do presidente da Argentina, Javier Milei, ou da crise bilateral instalada após o chefe de Estado do país vizinho participar de convenção do senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Questionado por jornalistas após reunião com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung,  sobre as críticas feitas pelo chefe de Estado argentino, Lula respondeu de forma irônica: "Quem é esse cara?"

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No evento realizado no último sábado (25), Milei falou das condições econômicas da Argentina quando assumiu o cargo, atrelando isso ao socialismo. Ele criticou o chamado Foro de São Paulo “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”.

"O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo", disse Milei.

O presidente argentino ainda chamou Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de "lixo careca" por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro.

Na noite de domingo (26), o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira, esteve com o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para manifestar a insatisfação do Palácio do Planalto com as falas de Milei. 

De acordo com o Itamaraty, o governo brasileiro considerou "sem precedentes" o fato de um chefe de Estado estrangeiro usar uma visita oficial ao Brasil para criticar o presidente, às instituições democráticas e ao Poder Judiciário.

"Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial", diz trecho da nota.

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