Política

Marcelo Freixo lança livro em Salvador e define obra como uma “disputa” pelo Rio de Janeiro

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Ex-deputado apresenta obra que discute a complexidade do Rio de Janeiro em evento aberto ao público  |   Bnews - Divulgação Reprodução/Vídeo
Analu Teixeira

por Analu Teixeira

Publicado em 12/06/2026, às 00h56



O ex-deputado federal Marcelo Freixo lançou nesta quinta-feira (11), em Salvador, o livro "Viver é Perigoso – Minha Travessia no Rio". O evento aconteceu no Bar Velho Espanha, nos Barris, e contou com debate aberto ao público seguido de sessão de autógrafos.

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Durante a apresentação da obra, Freixo afirmou que o livro vai além de um relato autobiográfico e busca discutir as transformações e os desafios enfrentados pelo Rio de Janeiro nas últimas décadas. “Esse não é um livro que fala mal do Rio. Esse é um livro que disputa o Rio”, declarou.

Segundo o autor, a obra foi construída ao longo de quatro anos em parceria com o escritor e pesquisador Bruno Paes Manso, referência nacional em estudos sobre segurança pública e autor de livros como A República das Milícias e A Fé e o Fuzil.

Freixo explicou que o processo de elaboração exigiu uma seleção cuidadosa das histórias e reflexões que integrariam a narrativa. Embora escrito em primeira pessoa, ele ressaltou que o foco principal da publicação é a cidade do Rio de Janeiro. “É um livro na primeira pessoa, mas é um livro sobre o Rio de Janeiro muito mais do que sobre mim”, afirmou.

Origem do titulo 

Um dos pontos destacados pelo autor foi a escolha do título da obra. Segundo ele, a expressão “Viver é Perigoso”, inspirada em passagens de João Guimarães Rosa no clássico Grande Sertão: Veredas, ganhou um novo significado ao longo do processo de escrita.

Freixo contou que, quando mais jovem, interpretava a frase a partir das experiências de violência vividas nas periferias do Rio de Janeiro. Com o passar do tempo, passou a enxergá-la sob outra perspectiva. “A vida para fazer sentido requer algum perigo”, disse.

Para ele, o conceito presente no livro não está relacionado apenas aos riscos impostos pelas circunstâncias sociais, mas às escolhas feitas ao longo da vida. “Não é um perigo que me atinge, é um perigo que eu escolho. A vida tem que ser escolha”, afirmou.

Trajetória e desigualdade social

Ao longo da conversa com o público, Freixo também relembrou suas origens familiares e utilizou a própria história para abordar questões ligadas à desigualdade social e ao acesso à educação no Brasil.

Filho de trabalhadores de origem humilde, ele contou que seu pai começou a trabalhar ainda na infância, primeiro como camelô e depois como padeiro, enquanto sua mãe atuou como auxiliar de costureira desde muito jovem. “É uma família que vem de uma origem de muito trabalho e de pouco acesso à educação”, relatou.

Segundo o autor, a experiência pessoal ajuda a compreender muitas das questões sociais abordadas no livro, especialmente os desafios enfrentados por moradores das periferias urbanas e as diferentes formas de violência presentes no cotidiano das grandes cidades.

A obra reúne reflexões sobre segurança pública, política, desigualdade social e democracia, tendo o Rio de Janeiro como cenário central da narrativa. Para Freixo, a travessia retratada no livro é também uma tentativa de compreender a cidade em toda a sua complexidade. “Se eu falo de travessia é porque acredito no Rio. Senão, não tentava atravessar”, concluiu.

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