Política

Medicamento pode ter causado alucinações em Bolsonaro, diz boletim médico

Gustavo Moreno / STF
Ex-presidente prestou depoimento neste domingo (23)  |   Bnews - Divulgação Gustavo Moreno / STF
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 23/11/2025, às 20h16



Jair Bolsonaro relatou a seus médicos ter tido um quadro de "confusão mental e alucinações" na noite de sexta-feira (21), o que teria motivado a tentativa de violação de sua tornozeleira eletrônica.

Em boletim médico anexado à manifestação da defesa do ex-presidente, a equipe médica de Bolsonaro afirma que o quadro foi "possivelmente induzido pelo uso do medicamento Pregabalina, receitado por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento, porém sem o conhecimento ou consentimento" dos médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique, que assinam o documento.

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A Pregabalina é um remédio anticonvulsivante e modulador de dor neuropática. No boletim médico, Birolini e Echenique dizem que "esse medicamento apresenta importante interação com os medicamentos que ele (Bolsonaro) utiliza regularmente para tratamento das crises de soluço (Clorpromazina e a Gabapentina) e tem como reconhecidos efeitos colaterais, a alteração do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos".

Os médicos de Bolsonaro ressaltam que o uso da Pregabalina foi "suspenso imediatamente, sem sintomas residuais neste momento" e que vão realizar avaliações periódicas no ex-presidente.

Bolsonaro teve sua prisão preventiva decretada na manhã de sábado (22) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que citou na decisão o risco de fuga e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. 

Bolsonaro afirmou, durante audiência de custódia realizada neste domingo (23), em Brasília, que a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica foi em razão de um "surto", causado por medicamentos. Ele também negou tentativa de fuga. A juíza responsável pelo caso decidiu manter a prisão de Bolsonaro após a audiência de custódia.

O ex-presidente também teria dito que "não se lembra de ter um surto dessa natureza em outra ocasião". E que o episódio pode ter sido provocado por um medicamento novo.

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