Política

Menina da Bota reclama de falta de dinheiro para campanha após receber R$ 693 mil do União Brasil

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Candidata a deputada federal por Minas Gerais afirma que não consegue bancar carro de som e equipe maior; prestação de contas registra R$ 696,6 mil em receitas  |   Bnews - Divulgação Divulgação
Eduardo Costa

por Eduardo Costa

redacao@bnews.com.br

Publicado em 01/10/2026, às 09h22 - Atualizado às 10h00



A influenciadora digital e cantora Maria José Mendes da Cruz, conhecida como a "Menina da Bota" e candidata a deputada federal por Minas Gerais nas eleições de 2026 pelo União Brasil, relatou dificuldades financeiras para custear uma estrutura de grande porte para a sua campanha.

"Do meu jeito, eu não tenho dinheiro para fazer a campanha muito grande, tipo carro de som, tipo mais pessoas entregando os materiais", disse a candidata.

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Apesar do tom adotado no vídeo, os dados oficiais registrados no sistema DivulgaCandContas da Justiça Eleitoral mostram que a Menina da Bota recebeu R$ 693 mil da direção nacional do União Brasil e e R$ 3,6 mil da direção mineira do PSD.

Os registros apontam que a campanha declarou valores que totalizam R$ 291.000,00 em despesas já contratadas e pagas com fornecedores estratégicos.

A auditoria da prestação de contas revela que os recursos declarados foram direcionados a prestadores de serviços profissionais nas áreas de gráfica, marketing digital, contabilidade e advocacia:

  • MAG - Minas Artes Gráficas Ltda: Com CNPJ registrado em Belo Horizonte, no bairro Padre Eustáquio, a gráfica recebeu o montante de R$ 156.000,00 divididos em quatro lançamentos para a confecção de material impresso de campanha.
  • Play-In Digital Ltda: A agência de publicidade, inscrita no CNPJ 58.958.647/0001-00 e sediada em Cabo de Santo Agostinho (PE), recebeu R$ 75.000,00 para serviços de marketing digital e impulsionamento de tráfego pago. O endereço cadastrado na Receita Federal corresponde, segundo imagens disponíveis no Google Street View, a um terreno baldio. A legislação da Receita Federal admite empresas que atuem exclusivamente de forma virtual, mas prevê a suspensão do CNPJ quando a empresa não é localizada no endereço informado no cadastro.

  • Alcantara Costa - Sociedade Individual de Advocacia: O escritório de advocacia especializado em direito eleitoral recebeu R$ 30.000,00 para a assessoria jurídica e acompanhamento do registro da candidatura.
  • ISP Soluções Contábeis Ltda: A empresa de contabilidade recebeu R$ 30.000,00 para a gestão fiscal e entrega da prestação de contas obrigatória à Justiça Eleitoral.

O contraste entre a narrativa pública de escassez e o montante financeiro administrado gerou debates entre eleitores.

No entanto, arrecadar recursos e gastar apenas parte do montante não constitui irregularidade, desde que todas as entradas e saídas estejam devidamente comprovadas por notas fiscais e recibos eleitorais válidos, e que eventuais sobras de recursos públicos sejam devolvidas ao término do pleito.

O BNews entrou em contato com a Menina da Bota e o União Brasil. Em caso de respostas, a matéria será atualizada.

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