Política
Publicado em 05/03/2025, às 07h40 Rebeca Santos
O PSOL está dividido. A polêmica sobre o apoio incondicional ou não ao governo Lula desencadeou uma série de conflitos que expuseram mágoas e ressentimentos acumulados ao longo dos anos.
Segundo informações do Uol, deputados do partido têm trocado farpas publicamente, chegando a se referir uns aos outros com termos como "mentiroso", "imaturo" e "palhaço" em entrevistas ao portal. Conflitos internos não são novidade no PSOL — a convenção de 2009, por exemplo, terminou em agressões físicas. A diferença agora é que o embate envolve parlamentares e está se tornando cada vez mais público, seja por meio de gestos políticos ou de reportagens na imprensa.
A maioria dos que fazem críticas mais duras opta pelo anonimato. Já aqueles que se identificam publicamente mantêm um tom mais moderado, mas reconhecem que a divisão na bancada tem prejudicado a imagem do partido.
A raiz desse racha remonta a mais de uma década, quando o PSOL se fragmentou em duas alas. A ala majoritária, liderada por Guilherme Boulos, conta com oito deputados e defende o apoio ao governo Lula. Embora reconheçam as contradições e falhas do governo petista, veem em Lula a única alternativa viável para enfrentar a ascensão de Jair Bolsonaro (PL) e da extrema direita.
Essa ala acusa a minoria, composta por cinco parlamentares, de adotar uma postura excessivamente teórica e desconectada da realidade, comparando-a a um "Diretório Central dos Estudantes (DCE)", mais preocupada em debater teses ideológicas entre convertidos do que em combater o verdadeiro inimigo político.
Já a ala minoritária critica o que considera um apoio irrestrito ao governo Lula. O deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) argumenta que a maioria do partido tem relativizado decisões que contradizem as lutas históricas do PSOL, como o alinhamento a políticas liberais. Segundo ele, em vez de manter uma postura crítica e independente, o partido estaria se afastando de suas bandeiras tradicionais ao se deixar "engolir pelo abraço da esquerda com a direita liberal".
A crise interna tem exposto o PSOL de forma negativa, evidenciando que o problema vai além de divergências políticas e reflete tensões profundas dentro do partido.
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