Política
por Rebeca Santos
Publicado em 30/03/2026, às 06h55
Com o segundo metro quadrado mais caro do Brasil e mercado imobiliário aquecido, o município de Itapema (SC) tem novos prédios subindo a cada esquina — exceto em uma, a da Avenida Nereu Ramos com o Rio Bela Cruz, onde uma casa simples segue intacta no terreno, há seis meses, para receber a “Messias Sky Tower”.
O nome do prédio faz referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que recebeu 75% dos votos em Itapema nas eleições de 2022. O lançamento do projeto foi feito com uma festança, com a presença de Jair Renan e Carlos Bolsonaro, filhos “04” e “02” do ex-presidente.
O prédio foi anunciado com mais de 50 andares, marina para 50 jet-skis, rooftop com piscinas, sky bar e charutaria, além de fachada inspirada na bandeira brasileira. Mas, por enquanto, nada saiu do papel.
Dificuldades para conseguir licença ambiental, problemas com corretores da região e desentendimentos com os donos do terreno colocam em risco o futuro do projeto. Pode ser que ele nem saia do chão.
“A história do Bolsonaro não acabou, e esses momentos o eternizam ainda mais”, discursou Carlos no evento de lançamento, em outubro.
Seis meses depois, uma reportagem do GLOBO esteve em Itapema e confirmou que não há nenhum sinal de obra no local. No terreno, onde deveria surgir o arranha-céu, ainda existe apenas uma casa de um andar ao lado de um boteco.
Frequentadores do boteco, reunidos em torno da mesa de bilhar no fim de uma tarde de sexta-feira, reagiram com surpresa quando perguntados sobre o possível arranha-céu.
Os donos da casa pediram que a reportagem falasse com o corretor Alexandre Maffezzolli, que ajudou a intermediar a troca do terreno com a construtora Dallagassa, responsável pelo projeto. Ao saber o motivo do contato, Maffezzolli bloqueou o jornalista no aplicativo de mensagens e parou de atender as ligações.
Fontes do mercado imobiliário de Itapema dizem que a “Messias Sky Tower” “queimou etapas”. O projeto foi divulgado com muito estardalhaço mesmo sem ter resolvido questões básicas, como a Licença Ambiental Prévia (LAP) junto à prefeitura.
No fim do ano, os mesmos corretores que ajudaram a lançar o prédio começaram a pressionar a construtora por causa da demora. Eles só recebem comissão quando os apartamentos começam a ser vendidos.
O GLOBO apurou que, por causa dos problemas, a Dallagassa chegou a avisar os donos do terreno que pretendia fazer um distrato, ou seja, desistir da construção do prédio em homenagem a Bolsonaro.
Na semana passada, a construtora conseguiu a licença ambiental, emitida no dia 6. Com isso, ela pode agora pedir o alvará de construção.
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