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Ministro do STF viajou em jato particular pago por advogada do Banco Master, diz jornal

Claudia Cardozo / BNEWS
Viagem de ministro do STF custeada por advogada do Banco Master foi confirmada pelo seu gabinete  |   Bnews - Divulgação Claudia Cardozo / BNEWS
Yuri Pastori

por Yuri Pastori

yuri.pastori@bnews.com.br

Publicado em 04/04/2026, às 12h22 - Atualizado às 12h23



Um avião particular ligado à empresa Prime You, custeado pela advogada que atua para o Banco Master, Camilla Ewerton Ramos, foi utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e sua mulher em uma viagem de Brasília para festa de aniversário de Camilla, em Maceió, em novembro do ano passado. As informações são do Estadão.

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O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, fazia parte do quadro de sócios da empresa até setembro de 2025, no entanto, a Prime You ainda administra bens do banqueiro.  Camila é mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), ex-colega do ministro nesta Corte.

O gabinete do ministro, que é relator de uma ação no Supremo solicitando ao Congresso a criação de uma CPI para investigar o caso Master, confirmou a viagem em 14 de novembro por meio de nota enviada à TV Globo. A defensora também disse ter arcado com os custos da viagem de Nunes Marques e da mulher. "Camila convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem", diz a nota.

A advogada Camilla Ramos, que defende o Banco Master em três processos judiciais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ), "esclarece que o voo citado foi particular, privado e contratado de forma pessoal pela advogada em virtude da comemoração de seu aniversário".

Casos de Gustavo Severo

Ainda segundo apuração da TV Globo, Nunes Marques acessou o terminal de viagens exclusivo para jatos executivos do aeroporto de Brasília ao menos 14 vezes ao longo de 2025. Em pelo menos quatro ocasiões, o advogado Luís Gustavo Severo esteve no local no mesmo horário.

Em 2022, o ministro do STF apadrinhou a candidatura de Severo a uma vaga de ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O advogado é especialista em direito eleitoral e atua no TSE, tribunal que Nunes Marques vai presidir por um ano a partir de junho.

O gabinete de Nunes Marques afirmou em nota que o ministro "se declara suspeito nos casos de Gustavo Severo, nos termos da legislação vigente, por ser amigo pessoal do advogado, o que é de conhecimento público".

A suspeição foi registrada na Secretaria do Tribunal em data muito anterior aos voos, e os casos nem chegam a ser remetidos ao gabinete. A afirmação de suspeição de forma transparente protege a honra do Judiciário e assegura o direito de convivência do magistrado em sua vida privada", acrescentou.

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