Política

Moraes reforça condenação de Bolsonaro e afirma que ex-presidente tentou "jogar o povo contra o Judiciário"

Antonio Augusto/STF
Moraes reproduziu vídeos e imagens de manifestações bolsonaristas para acompanhar seu argumento  |   Bnews - Divulgação Antonio Augusto/STF
Héber Araújo

por Héber Araújo

Publicado em 11/09/2025, às 17h24 - Atualizado às 17h24



O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), interrompeu o voto da ministra Cármen Lúcia, durante o julgamento da trama golpista, para reforçar a tese que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) liderou a organização criminosa. Segundo o magistrado, o grupo buscava aplicar um golpe de Estado e “calar o Judiciário”. 

“Essa organização criminosa, liderada por Jair Bolsonaro, tentou simplesmente se apoderar do Estado, com discurso de desnaturar a questão democrática no sentido de desnaturar a questão democrática no sentido de deslegitimar as urnas. Jogar o povo contra o judiciário, contra a Justiça Eleitoral com um objetivo claro”, disse. 

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O ministro ainda apresentou vídeos de discursos do ex-presidente, durante manifestações bolsonaristas em São Paulo. No discurso, Bolsonaro afirma que o ministro ataca a constituição e afirma que ele deve se enquadrar. “Sai Alexandre de Moraes, deixa de ser canalha”, disse o ex-presidente sob gritos dos apoiadores. 

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Antonio Augusto/STF

Alguns de nós aqui, permitira e afirmaria que isso é liberdade de expressão e não crime? Qual recado que nós queremos deixar pro poder judiciário brasileiro? Nós vamos placitar que todo o político possa ir, no dia sete de setembro, jogar a população contra o judiciário?” questionou Moraes em sequência. 


O magistrado lembrou ainda que, após as declarações do ex-presidente, ocorridas em sete de setembro de 2021, os ministros do supremo passaram a receber ataques mais incisivos. “[Os ministros] passaram a receber 10x mais ameaças. E eu, obviamente, mil vezes mais. Isso não é uma grave ameaça ao funcionamento do judiciário?”. 

O ministro apontou que não se trata de um crime contra ele, mas contra um dos poderes do Estado Democrático de Direito. O magistrado ainda apresentou imagens de manifestantes pedindo intervenção militar e outros cartazes em inglês, e debochou: “já estavam preparando a viagem à Disney”. 

Segundo ele, todos os cartazes, outdoors e atos foram financiados pela organização criminosa, que também teria inflado os atos golpistas de 8 de janeiro.

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