Política

Movimento de resistência LGBT+ é reconhecido como manifestação cultural do Brasil

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Proposta foi apresentada pela deputada Erika Hilton e aprovada na quinta-feira (15) pela Câmara  |   Bnews - Divulgação NETFLIX/DIVULGAÇÃO
Carolina Papa

por Carolina Papa

carolina.papa@bnews.com.br

Publicado em 17/10/2025, às 20h57



Classificado como um movimento político, de resistência e celebração da diversidade racial, de gênero e sexual, a cultura ballroom se tornou uma manifestação da cultura brasileira. O reconhecimento ocorre após a aprovação do projeto de lei 183/2025 pela Comissão de Cultura da Câmara dos Deputado, na quarta-feira (15). 

A proposta foi apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL) à casa legislativa em fevereiro deste ano. No texto, a parlamentar afirmou que a cultura ballroom “consolida-se em uma longa história de luta”, valorizando a “diversidade, oferecendo uma plataforma de visibilidade e resistência através da expressão cultural”. 

“A Cultura Ballroom também possui influências culturais, através de sua estética e das práticas, que influenciam diretamente nas áreas de cultura popular, como a moda, a música e o cinema. Além dessas influências artísticas diretas, a Ballroom também tem um impacto cultural para representação e visibilidade de questões de gênero, classe e raça”, destacou Erika Hilton. 

“Sua importância vai muito além da dança ou da performance, pois ela é um reflexo das lutas sociais, de trajetórias de resistência e do empoderamento de comunidades marginalizadas. Dessa forma, entendemos que a Cultura Ballroom merece ser reconhecida como patrimônio cultural imaterial porque é uma forma única de expressão artística e social que carrega em si uma profunda carga histórica e cultural”, complementou. 

O relator da proposta, Tarcísio Motta (PSOL), optou pela alteração do termo originalmente usado por Erika Hilton, “patrimônio cultural imaterial”, por “manifestação da cultura brasileira”. O deputado pontuou que o projeto representa relevância  social, cultural e simbólica, “ao expor a defesa e afirmação da comunidade LGBTQIAPN+ no Brasil”. 

“No Brasil, a cultura ballroom tem ganhado força nas grandes cidades e se consolidado como espaço de resistência e de criação para a juventude LGBTQIAPN+, sobretudo negra e periférica. Assim como em suas origens, a cena nacional funciona como abrigo simbólico e concreto para sujeitos vulnerabilizados pelo racismo, pela transfobia, pela homofobia e pelas desigualdades sociais contra as quais lutamos diuturnamente”, argumentou.

“É cultura porque possui práticas, modos próprios de organização social e econômica, códigos estéticos e linguagens singulares. Expressa, com notável criatividade e qualidade, nas performances de dança, maquiagem e vestuário. Tais manifestações ganham vida nas competições de moda e de dança realizadas nos chamados “bailes” — origem da própria palavra ballroom. Esses eventos não são apenas espetáculos: são momentos de afirmação de valores estéticos, pertencimento e construção identitária, tanto dentro das houses quanto na dinâmica entre elas”, acrescentou. 

Contexto histórico 

O nascimento da cultura ballroom é datado das décadas de 1960 e 1970 no subúrbio de Nova York, nos Estados Unidos (EUA), em um cenário underground, sendo formado, principalmente, por comunidades negras e latinas LGBTQIA+.  A cultura tem como uma das grandes marcas as competições de dança e desfiles de moda. 

O movimento deu origem também às chamadas “houses”, que atuam como locais de acolhimento para pessoas, em alguns casos, em situação de vulnerabilidade social. 

Em 1990, a cantora Madonna trouxe o “boom” para a popularização do estilo de dança voguing através da música “Vogue”, colocando a cultura ballroom no mainstream global.

Classificação Indicativa: Livre

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