Política

Mudança do Garcia leva protestos às ruas com críticas ao feminicídio, Bruno e Jerônimo; veja fotos

Sergio Pedreira / BNEWS
Mensagens sobre feminicídio, direitos LGBTQIA+ e educação marcam a Mudança do Garcia, transformando a festa em espaço de protesto  |   Bnews - Divulgação Sergio Pedreira / BNEWS


A segunda-feira (16) de Carnaval em Salvador começou com recados diretos nas mãos dos foliões. Na Mudança do Garcia, um dos blocos mais tradicionais e politizados da festa, cartazes que serão exibidos pelo circuito transformam a folia em espaço aberto de cobrança pública e manifestações sociais.

Entre as frases estavam mensagens como: “Nenhuma mulher a menos, nenhum feminicídio a mais”, em referência à violência de gênero; “Favela não é caso de polícia, é caso de política”; e “Favela quer paz, não quer mais caveira”, numa crítica às ações de segurança pública nas periferias.

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A educação também entrou na pauta. Um dos cartazes questionava: “Aluno sem merenda, professor sem salário, até quando?”. Já a defesa dos direitos da população LGBTQIA+ apareceu na frase: “Carnaval sem LGBTfobia, a rua é de todes”.

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Também houve cobranças diretas a gestores públicos. Um dos recados dizia: “Bruno Reis, desenvolvimento exige sustentabilidade. Progresso não é só concreto”. Outro pedia: “Governador Jerônimo, faça jus ao seu nome e seja justo com o funcionalismo”. A situação ambiental foi lembrada em: “Cadê o saneamento? Baía de Todos-os-Santos pede socorro”.

Direitos trabalhistas também ganharam espaço: “Valorização do trabalhador começa pelo fim da escala 6x1! Jornada justa já!”.

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No campo político, a discussão sobre anistia voltou ao debate com a frase: “Anistia em 1979, sem anistia em 2023. Os de 8 de janeiro, os perdoados não perdoam”.

Carnaval raiz e palco de reivindicações
Criada na década de 1920, a Mudança do Garcia, que nasceu como “Faxina do Garcia”, mantém viva a essência do Carnaval de rua. Sem cordas, sem abadá e sem cobrança para participar, o bloco sai do bairro do Garcia em direção ao Campo Grande (Circuito Osmar) sempre na segunda-feira de Carnaval.

A origem, segundo a tradição popular, remete a um morador despejado que teria feito sua mudança em pleno Carnaval, acompanhado por amigos e músicos. O gesto simbólico de resistência virou marca do bloco.

Ao longo das décadas, a Mudança consolidou seu caráter irreverente e político. Diferentemente dos grandes trios elétricos focados apenas na festa, o cortejo se tornou vitrine para movimentos sociais, sindicatos, coletivos e cidadãos que aproveitam a visibilidade do Carnaval de Salvador para protestar, reivindicar direitos e criticar autoridades.

Entre marchinhas, fantasias e muito deboche, a Mudança do Garcia reafirmou nesta segunda-feira que, no Carnaval baiano, também há espaço para debate público. Em meio à música e à multidão, os cartazes lembraram que, para muitos foliões, a festa também é instrumento de pressão e expressão popular.

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