Política

Mudança no IOF surpreende presidente do BC e gera tensão entre Fazenda e Banco Central; saiba detalhes

Pedro França / Agência Senado
Fernando Haddad desmente versão de auxiliares sobre negociações com o Banco Central, aumentando a tensão política  |   Bnews - Divulgação Pedro França / Agência Senado
Cauan Borges

por Cauan Borges

cauan.borges@bnews.com.br

Publicado em 23/05/2025, às 13h29



O anúncio do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) realizado na última quinta-feira (22) pelo Ministério da Fazenda gerou desconforto no governo e expôs uma falta de alinhamento entre o ministério e o Banco Central. Segundo a Folha de São Paulo, o presidente do BC – Gabriel Galípolo – não foi informado previamente sobre a decisão e se opôs às alterações.

Mesmo que o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, tenha afirmado que Galípolo e o ministro Fernando Haddad conversaram sobre o tema em uma reunião na última terça-feira (20), o próprio Haddad publicou mensagem na rede social X – antigo Twitter – desmentindo a versão de seus auxiliares. 

“Sobre as medidas fiscais anunciadas, esclareço que nenhuma delas foi negociada com o BC”, escreveu o ministro quase duas horas após o fim da coletiva de imprensa que oficializou a medida.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, tentou justificar a alteração no IOF  – em entrevista à Folha – afirmando que a medida poderia colaborar com o trabalho do Banco Central no controle da inflação, contribuindo para o fim do ciclo de altas da taxa Selic e favorecendo a redução dos juros.

Apesar dessa argumentação, a reação do mercado foi negativa. O dólar subiu 0,35% e fechou cotado a R$ 5,660, enquanto o Ibovespa recuou 0,44% – encerrando o dia aos 137,272 pontos. A instabilidade veio após uma breve melhora inicial com o anúncio do congelamento de R$ 31,3 bilhões no orçamento, seguida de deterioração após a divulgação da alta no IOF.

Fontes do governo indicam que Galípolo já havia se posicionado anteriormente contra mudanças no IOF, tributo de caráter regulatório e que pode ser alterado por decreto, sem necessidade de passar pelo Congresso Nacional. As informações são da Folha de São Paulo.

A tensão se acirra em um momento sensível da política monetária. Na última segunda-feira (19), Galípolo indicou que o BC vê sentido em manter a taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano, em um patamar elevado por mais tempo. A fala contribuiu para a queda das taxas de juros de longo prazo, um movimento raro nos últimos meses.

Em seu pronunciamento, Galípolo destacou ainda que as próximas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) dependerão da evolução dos indicadores de atividade econômica e inflação.

A desarticulação evidenciada pela divergência pública entre a Fazenda e o Banco Central gera dúvidas sobre a coordenação da política econômica e pode comprometer a credibilidade da condução fiscal e monetária do país.

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