Política
por Henrique Brinco
Publicado em 05/02/2026, às 21h56 - Atualizado às 21h57
O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), comentou sua saída do PDT e voltou a defender a construção de uma alternativa política fora da polarização nacional. As declarações foram dadas nesta quinta-feira (5), durante entrevista coletiva após reunião com lideranças do União Brasil no âmbito do Fórum S.O.S Bahia, em Irecê.
Questionado sobre especulações envolvendo seu nome em articulações nacionais, incluindo a possibilidade de integrar uma chapa presidencial como vice, Ciro afirmou que não tem, neste momento, intenção pessoal de disputar cargos eletivos. Segundo ele, uma eventual candidatura só ocorreria se fosse entendida como uma responsabilidade com o país.
“Veja, começando por mim, eu não tinha mais, nem tenho mais vontade ainda de ser candidato a mais nada. Posso eventualmente ser, se eu entender que essa tarefa de me candidatar é uma tarefa que envolve a minha responsabilidade com o Brasil, antes de mais nada, e com o Ceará logo em seguida”, declarou.
Ao comentar movimentos do PSD, que filiou três presidenciáveis (Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Ratinho Júnior), ele teceu elogios ao presidente da legenda, Gilberto Kassab. “Eu acho que o Kassab é uma pessoa muito inteligente e muito visionária”, disse. Em seguida, completou: “Eu acho que ele está sentindo que tem uma parte grande de brasileiros que está votando no A porque odeia o B e está votando no B porque odeia o A. E que, se tivesse um C, provavelmente poderiam votar. E eu acho que exploramos essa possibilidade de lançar um C. Acho que C é muito bom para o país”.
Ciro também foi questionado sobre os motivos que o levaram a deixar o PDT e se a decisão teria relação com episódios envolvendo antigos aliados. Ele evitou entrar em detalhes pessoais e afirmou que a motivação foi política. “Amigo, a gente quando desfaz um casamento, não é de bom tom a gente falar da ex-mulher. Então, se você me permitir, eu digo que saí do PDT porque o PDT infelizmente se vendeu ao PT. Essa é a razão política que me fez decidir aquilo que já me vinha constrangendo há muito tempo, as contradições do PDT”.
As críticas mais contundentes foram direcionadas ao governo Lula. Ao avaliar a atual gestão, Ciro foi direto: “Ruim pra cacete. Meu irmão, 15% de taxa de juros destrói uma nação. Não é palavra exagerada, destrói”. Para ele, os juros elevados paralisam a economia e desestimulam investimentos produtivos.
“Quem tem dinheiro não vai botar no risco, sofrer com fiscalização, podendo botar na renda fixa”, afirmou, ao acrescentar que milhões de brasileiros enfrentam endividamento. “Sabe o que está acontecendo? Setenta e nove milhões de brasileiros estão humilhados no SPC. Esse país está podre”.
O evento em Irecê contou com a presença de lideranças do União Brasil, a exemplo do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, do ex-governador Paulo Souto, do deputado federal Paulo Azi, entre outras autoridades locais.
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