Política
por Analu Teixeira
Publicado em 07/10/2026, às 22h55
O candidato ao Governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), confirmou que fará campanha para o presidente Lula (PT) no segundo turno das eleições, mas rejeitou a ideia de que tenha obrigação de seguir todas as posições do petista. Em resposta às cobranças feitas pelo presidente sobre seu apoio no estado, o ex-prefeito afirmou nesta quarta-feira (7) que “não é um vassalo” de Lula.
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“Eu tenho muita gratidão ao presidente Lula, voto no presidente Lula, faço campanha para o presidente Lula. Agora, tem pessoas que votaram em mim que não fazem campanha, que não votam no presidente Lula. Eu já disse: eu não sou do PT, eu não penso tudo igual ao Lula, eu não sou um vassalo do Lula”, declarou Paes durante uma agenda de campanha na Rocinha, na Zona Sul do Rio.
A manifestação ocorreu após uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelar que Lula havia reclamado a aliados da postura de Paes durante a disputa presidencial. O petista terminou o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) no Rio de Janeiro e teria demonstrado insatisfação com a falta de uma defesa mais enfática de sua candidatura por parte do candidato ao governo estadual.
Paes afirmou, no entanto, que conversou com Lula na noite de terça-feira (6), após a publicação da reportagem, e negou que exista um mal-estar entre os dois.
“Eu falei ontem à noite com o presidente Lula. Tem intriga, tem ciúme. Eu também queria que todo mundo que votasse no Lula votasse em mim. Teve gente que votou no [vereador Willian] Siri, teve gente que votou no cara do PCO, e eu não estou dando crise”, afirmou.
O candidato também foi questionado sobre o desempenho de Lula no Rio de Janeiro, que ficou abaixo do resultado obtido pelo presidente no estado nas eleições de 2022. Paes fez críticas à articulação política do petista e citou investimentos realizados pelo governo federal que, segundo ele, não teriam recebido reconhecimento suficiente na Baixada Fluminense.
“Ele fez R$20 bilhões de investimentos e ninguém confirmou o trabalho dele na Baixada. [...] Eu posso ter mil teses, o que eu vou dizer depois da eleição. Não era prefeito da Baixada”, declarou.
A relação entre os dois políticos ocorre em meio a uma composição eleitoral que colocou Paes em uma posição de centro na disputa pelo Governo do Rio. O ex-prefeito firmou alianças com diferentes grupos políticos e evitou uma campanha de confronto direto com o bolsonarismo.
Apesar das divergências e da cobrança pública, Paes mantém a declaração de apoio a Lula para o segundo turno. A diferença está na forma como pretende conduzir essa aliança: com apoio eleitoral ao presidente, mas sem assumir alinhamento integral às posições do petista.
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