Política
Uma nova série de documentos divulgada pelo site Intercept Brasil nesta terça-feira (9) detalha a movimentação financeira do dinheiro usado para bancar o filme "Dark Horse", que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
De acordo com a publicação, planilhas, contratos, mensagens e comprovantes bancários apontam para uma operação de quase US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época. Um dos principais documentos analisados é uma planilha intitulada "Funding Schedule", detalhada nas conversas como o cronograma de financiamento da produção. O arquivo registra 14 desembolsos previstos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, detalhando tanto os aportes programados quanto os valores efetivamente recebidos.
As duas primeiras parcelas, de US$ 2 milhões cada, estavam inicialmente previstas para janeiro de 2025, mas teriam sido pagas apenas em fevereiro e março. As outras 12 parcelas, de aproximadamente US$ 1,66 milhão cada, também aparecem no cronograma. Até maio de 2025, os registros indicam pagamentos que somam US$ 10,6 milhões. No entanto, as mensagens obtidas pelo Intercept dão indícios de que os valores podem ser maiores que esse valor.
Em uma conversa de 7 de agosto de 2025, o empresário Thiago Miranda disse ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que havia parcelas em atraso. "Duas em atraso e está para vencer a terceira agora em agosto", escreveu. Em resposta, Vorcaro afirmou: "Segunda fazemos duas".
Já um comprovante bancário emitido pelo sistema internacional SWIFT, usado para operações financeiras entre diferentes países, datado de 13 de fevereiro de 2025, confirma uma transferência de US$ 2 milhões para o Havengate Development Fund LP, fundo controlado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
De acordo com o comprovante, o montante foi enviado à empresa Entre Investimentos e Participações Ltda. A operação foi processada pelo Banco BS2 e enviada para uma conta do Havengate vinculada ao JPMorgan Chase Bank.
O documento aparece em meio a conversas sobre dificuldades para concluir a transferência. Em mensagens trocadas dias antes da operação, Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro ligado a Vorcaro, relatou obstáculos relacionados ao câmbio e discutiu alternativas para viabilizar o envio dos recursos ao exterior.
Segundo a publicação, a solução encontrada teria sido usar a estrutura da Entre Investimentos e Participações, empresa que figura como remetente na documentação bancária.
As mensagens também citam Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado à Entre Investimentos e Participações. Em uma conversa de março de 2025, Zettel disse a Vorcaro que iria "pra cima do Mineiro", apelido que, segundo os documentos, seria utilizado em referência a Freixo.
Embora a Entre Investimentos e Participações e Daniel Vorcaro neguem qualquer vínculo, o Intercept afirma que documentos apontam conexões operacionais e financeiras entre o grupo empresarial e o banqueiro.
Menos de dez dias após a primeira transferência internacional, Zettel teria encaminhado o comprovante da operação a Vorcaro acompanhado de uma única mensagem: "Filme!".
Procurados, os citados pela reportagem optaram pelo silêncio. Vorcaro e Zettel estão presos. A reportagem tentou contato com as defesas de ambos, além de procurar diretamente Paulo Calixto, Thiago Miranda e Antônio Carlos Freixo Júnior, mas não obteve retorno.
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