Política
Publicado em 24/06/2025, às 07h17 Rebeca Santos
Ter a liberdade de escolher o oponente é um privilégio para qualquer candidato. Se isso não assegura a vitória, na maioria dos casos, certamente a torna mais fácil. Difícil imaginar alguém que, podendo eleger seu rival, opte por um capaz de vencê-lo.
Segundo o colunista Ricardo Noblat, em época de eleições, políticos são abordados com todo tipo de pedido – desde dinheiro e promessas de emprego até caixões e coroas de flores. Mas há um limite: dificilmente aceitarão entrar em um cemitério.
Em 2018, Bolsonaro soube bem qual adversário selecionar: Lula, preso em Curitiba e inelegível devido à cassação de seus direitos políticos. Na ocasião, Bolsonaro se posicionou como o candidato anti-PT.
Quatro anos depois, Lula revidou: escolheu Bolsonaro como seu oponente, apresentando-se como o único capaz de impedir sua reeleição. A estratégia funcionou, atraindo até mesmo parte do eleitorado de direita.
Se perguntarem a Lula quem ele gostaria de enfrentar em 2026, ele não dirá abertamente que seria Bolsonaro. Afinal, alegará que o ex-presidente está inelegível e pode ser preso novamente.
É justamente Bolsonaro quem Lula pretende ter como adversário mais uma vez – ou melhor, o candidato que Bolsonaro apoiar, já que ele próprio não poderá concorrer.
Qualquer que seja o nome indicado, será pressionado por Bolsonaro a se comprometer com um eventual indulto ou anistia, seja por meio do Congresso ou até mesmo confrontando o Judiciário.
Existiria, para Lula, um rival mais fácil de derrotar? Seja qual for o escolhido por Bolsonaro, Lula o rotulará como um "fantoche" do ex-presidente.
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