Política
Uma obra de pavimentação no sertão da Bahia financiada pela Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba), estatal que recebeu verbas do "orçamento secreto", usou treze trabalhadores em condições análogas à escravidão. Os empregados foram resgatados durante operação do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, no distrito de Santana do Sobrado, em Casa Nova (BA).
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A operação foi uma atuação conjunta entre o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal coordenada pela Inspeção do Trabalho.
Segundo o portal Uol, as condições da obra, executada pela construtora Floresta Empreendimentos e Serviços Ltda, eram degradantes com falta de acesso à água potável e equipamentos de segurança. Os trabalhadores recebiam diárias de R$ 120, pagas quinzenalmente.
De acordo com a estatal, a empresa tem um contrato de R$ 29 milhões com a Codevasf para "serviços de pavimentação em vias urbanas e rurais de 12 municípios" na região de Juazeiro (BA).
Ainda segundo a publicação, a Codevasf disse que os recursos para a obra vieram de uma modalidade de despesa discricionária do Orçamento Federal, conhecida como RP2, usada para dar continuidade ao chamado "orçamento secreto".
Em uma rede social, o prefeito de Casa Nova, Anisio Viana (PSDB), que é primo do deputado federal Adolfo Viana (PSDB-BA), disse que os recursos (R$ 12 milhões) para execução da obra teriam sido repassados à estatal por indicação do parlamentar. Procurados, o prefeito de Casa Nova e o deputado Adolfo Viana ainda não se manifestaram.
Um Termo de Ajustamento de Conduta foi assinado pela construtora Floresta. Após a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, a empresa se comprometeu a pagar R$ 219,6 mil aos trabalhadores em verbas rescisórias e danos morais. Tanto a Codevasf quanto a construtora Floresta estão sendo investigadas por irregularidades trabalhistas.
A respeito da autuação por trabalho análago à escravidão na obra sob sua administração, a Codevasf informou que ainda não tinha sido notificada. "A Companhia está apurando o caso, já notificou a empresa para prestar esclarecimentos e tomará as medidas administrativas cabíveis caso sejam confirmadas irregularidades trabalhistas", completou.
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