Política

Otto lamenta rejeição a Messias e diz que "pecado original" de Lula foi não ter indicado Pacheco ao STF

Jefferson Rudy/Agência Senado
Senador lamenta que maioria do Congresso tenha decidido 'se vingar' de Lula por ignorar indicação ao STF  |   Bnews - Divulgação Jefferson Rudy/Agência Senado
Matheus Simoni

por Matheus Simoni

matheus.simoni@bnews.com.br

Publicado em 30/04/2026, às 09h25



O senador Otto Alencar (PSD-BA) comentou a derrota do governo Lula na tentativa de emplacar o advogado-geral da União, Jorge Messias, numa vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista nesta quinta-feira (30) à Rádio Metrópole, o parlamentar destacou que a base governista precisa assimilar a derrota que parecia distante das previsões nos bastidores do Congresso Nacional.

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"O Jorge Messias tem uma carreira política admirável. Vem das comunidades de base, de escola pública. Fez concurso em todos os setores para chegar a ser AGU (Advogado-Geral da União), onde prestou concurso e passou. É professor de Direito, é muito preparado", destacou.

Ele fez uma sabatina ontem que eu considero a mais bonita de todas, a mais emocionante de todas. Ele foi questionado — foram 35 senadores perguntando a ele — perguntas as mais ácidas possíveis, inclusive o Sérgio Moro e o Flávio Bolsonaro perguntaram a ele. Todos perguntaram a ele, e ele se saiu maravilhosamente bem", declarou.

Ainda de acordo com Otto Alencar, houve uma mudança na sensação governista após a aprovação do nome de Messias na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. "Quando saiu da CCJ, tinha um clima favorável para ir para o plenário do Senado. De repente, nós percebemos uma mudança no plenário do Senado muito grande, de senadores até que se manifestavam espontaneamente para mim, chegavam e diziam: 'Eu vou votar com o Jorge Messias'. De repente a gente vê que muda logo o clima, então nos surpreendeu bastante ter só 34 votos contra 42", disse o senador, que classificou a rejeição como uma "grande derrota".

Rodrigo Pacheco e Lula
Ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco tinha apoio da maioria dos senadores, mas não foi indicado por Lula (Foto: Pedro Gontijo/Agência Senado)

"O Senado inteiro queria Rodrigo".

O senador ainda pontuou que um nome de consenso seria Rodrigo Pacheco (PSD-MG), colega de Otto no Senado. No entanto, Lula tinha outros planos para o parlamentar e endossou a candidatura dele ao governo de Minas Gerais. O nome de Pacheco, inclusive, era o favorito do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

"Ele [Pacheco], depois de Alexandre de Moraes, foi a principal figura que sustentou o regime democrático. Ele, na frente do Congresso Nacional, tomou posição totalmente contrária à tentativa de golpe e se queimou totalmente com o bolsonarismo. Ele foi eleito em 2018 com a aliança pelo bolsonarismo, mas ficou com a razão", relembrou o senador.

Quando surgiu o nome dele para ser indicado por Lula, eu chamava de 'querenismo'. O Senado todo queria votar nele. Não o colocou e eu chamo isso de pecado original. Ficaram vários senadores querendo dar o troco ao presidente Lula. Não foi só a ação do Davi", revelou.

Otto Alencar declarou quais seriam os dois fatores principais para a rejeição de Jorge Messias. "São dois fatores: o fato de não ter colocado Pacheco lá atrás. Todos queriam Pacheco e ele tinha mérito para ser indicado. Não indicou Pacheco, deixou passar e mandou o Messias. Eu acho que esses votos contrários foram por isso, de insatisfação. Por outro lado, foi também a ação de Davi Alcolumbre com os senadores que têm uma ligação muito forte", pontuou.

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