Política

Plantão milionário: Servidores da Câmara acumulam R$ 9,3 milhões em horas extras; veja lista

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Pagamentos por jornadas extras fizeram salários dispararem na Câmara; alguns servidores receberam mais de R$ 30 mil por mês só nesse adicional  |   Bnews - Divulgação José Cruz/Agência Brasil
Redação Bnews

por Redação Bnews

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Publicado em 17/04/2026, às 07h20



R$ 9,3 milhões. Esse é o total que apenas 13 servidores da Câmara dos Deputados receberam em horas extras desde 2016. Não se trata de cargos operacionais: todos ocupam funções estratégicas dentro da estrutura da Casa.

O dado, fruto de levantamento feito pelo Metrópoles, chama atenção por um detalhe que pesa no contracheque: por serem classificadas como verba “extraordinária”, as horas extras ficam fora do teto constitucional. Na prática, abrem espaço para remunerações mensais que, em alguns períodos, ultrapassam R$ 20 mil, em certos meses, passam dos R$ 30 mil só nesse adicional.

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Quem mais recebeu
No topo da lista está o advogado-adjunto da Câmara, Daniel Borges de Moraes. Ao longo do período analisado, ele acumulou R$ 1.062.774,22 em horas extras. Só em 2025, foram R$ 174,6 mil. Não é algo recente: em 2019, por exemplo, o valor já havia chegado a R$ 150,3 mil.

Logo atrás aparece o atual diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil desde 2016. Em 2025, ele recebeu R$ 160,7 mil — o segundo maior valor no ano.

Brandão assumiu o comando administrativo da Casa em agosto de 2025, indicado pelo presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), após a saída de Celso de Barros Correia Neto, ligado ao ex-presidente Arthur Lira (PP-AL). Servidor concursado, está na Câmara há mais de uma década.

Valores milionários se repetem
Os números não se concentram apenas nos dois primeiros nomes. Outros servidores em cargos de peso também ultrapassam a marca de R$ 1 milhão acumulado em horas extras no período.

Entre eles, o diretor-executivo de Comunicação, Cláudio Roberto de Araújo, com R$ 1,53 milhão; o policial legislativo Suprecílio do Rêgo Barros Neto, com R$ 1,49 milhão; e o advogado Mizael Borges da Silva Neto, que soma o mesmo valor, ele é irmão gêmeo do próprio advogado-adjunto que lidera a lista.

Integram a lista Marcelo Guedes de Resende (R$ 1,43 milhão), Francisco José Dantas Pereira (R$ 1,39 milhão) e Djalma Louzeiro Cavalcante (R$ 1,39 milhão), todos com histórico de pagamentos recorrentes por jornadas extras ao longo dos anos.

Ainda de acordo com o levantamento, os outros servidores são Mauro Limeira Mena Barreto (R$ 1,29 milhão), Hudson Gomes de Paula (R$ 1,23 milhão), Raimundo José de Carvalho (R$ 1,23 milhão), Paul Pierre Deeter (R$ 1,19 milhão) e Sebastião Neiva Filho (R$ 1,18 milhão).

Como esses valores são alcançados
Para chegar a esses montantes, é necessário cumprir o limite máximo de horas extras durante a semana e ainda trabalhar em fins de semana e feriados. Foi a partir dessa lógica que os valores se acumularam ao longo dos anos.

O levantamento foi feito com base em dados públicos da própria Câmara, disponíveis no portal da instituição, por meio da análise dos contracheques.

O que diz a Câmara
Em nota, a Casa afirma que os pagamentos estão vinculados a “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas”. Também destaca que há controle de frequência por sistema biométrico, inclusive fora do expediente regular.

“Ressalte-se que não há pagamento de serviço extraordinário sem a devida justificativa formal, prévia autorização e o correspondente registro biométrico no sistema de ponto eletrônico. A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Câmara dos Deputados”, diz o texto.

Classificação Indicativa: Livre

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