Política

Prefeito é afastado após virar alvo da PF por coagir servidores da prefeitura para votar no 2º turno das eleições

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O prefeito é investigado pela PF após vídeo em que teria ameaçado demitir cerca de 700 pessoas caso governador não fosse eleito; Justiça determinou afastamento por 30 dias  |   Bnews - Divulgação Divulgação / PF
Tiago Di Araújo

por Tiago Di Araújo

tiago@bnews.com.br

Publicado em 19/10/2026, às 11h42



A suspeita de usar a prefeitura para pressionar servidores a votar em um candidato no segundo turno das Eleições 2026 levou ao afastamento do prefeito de Baixo Guandu, no Espírito Santo, Lastênio Luiz Cardoso (MDB). O gestor é alvo da Polícia Federal (PF) em uma investigação sobre possível coação eleitoral e teve de deixar o cargo por determinação da Justiça Eleitoral.

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O caso ganhou força após a divulgação de um vídeo publicado pelo próprio prefeito nas redes sociais, em 10 de outubro. Segundo as informações da investigação, Lastênio teria condicionado a manutenção de aproximadamente 700 postos de trabalho à eleição do governador Ricardo Ferraço (MDB), que disputa o segundo turno no estado.

Na gravação, conforme o relato divulgado, o prefeito afirmou que demitiria centenas de pessoas caso o governador não fosse eleito e também mencionou possíveis impactos sobre o comércio local. A PF apura se as declarações configuram uso da função pública para influenciar o voto de servidores municipais.

Justiça afasta prefeito por 30 dias

A Operação 1932 foi deflagrada nesta segunda-feira (19). Durante a ação, policiais federais cumpriram dois mandados de busca e apreensão, além de uma busca pessoal. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), após manifestação favorável da Procuradoria Regional Eleitoral.

Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento de Lastênio Luiz Cardoso do cargo por 30 dias e a proibição de acesso às dependências do órgão público. A decisão ocorre enquanto as autoridades apuram se houve pressão sobre funcionários da prefeitura para direcionar votos na disputa estadual.

Durante as diligências, os agentes apreenderam materiais de campanha eleitoral. Os itens serão submetidos a análise e perícia para auxiliar no esclarecimento dos fatos.

PF investiga possível coação eleitoral

A investigação apura, em tese, os crimes de coação eleitoral praticada por servidor público e utilização de serviços públicos em benefício de organização política, previstos no Código Eleitoral.

O objetivo é esclarecer se o prefeito utilizou o cargo para ameaçar servidores com a perda dos empregos e se houve uso da estrutura municipal em benefício de uma candidatura. A apuração também considera a possível divulgação de propaganda eleitoral em evento público.

A Prefeitura de Baixo Guandu foi procurada pela CNN Brasil, mas, até a publicação das informações utilizadas nesta matéria, não havia enviado resposta. O espaço permanece aberto para manifestação.

Nome da operação remete à criação da Justiça Eleitoral

A operação recebeu o nome de 1932, em referência ao ano em que foi criado o Código Eleitoral brasileiro. A legislação instituiu a Justiça Eleitoral e o voto secreto no país, em um contexto de enfrentamento a práticas de coação do eleitor, como o chamado voto de cabresto.

O caso segue sob investigação, e as suspeitas atribuídas ao prefeito ainda dependem de apuração pelas autoridades competentes.

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