Política

Prefeitura de Salvador anuncia frei 'anticomunista' como atração de Natal

Bruno Marques / Canção Nova
Frei Gilson vai celebrar missa na Boca do Rio  |   Bnews - Divulgação Bruno Marques / Canção Nova
Anderson Ramos

por Anderson Ramos

Publicado em 28/11/2025, às 09h43



O prefeito Bruno Reis (União Brasil) anunciou nas suas redes sociais nesta sexta-feira (28) que a missa do Natal de Salvador deste ano será feita por Frei Gilson. Na postagem, o gestor informou que atendeu a um pedido da Arquidiocese de Salvador e fez questão de mostrar satisfação com a atração.

“A pedido da Arquidiocese de Salvador, teremos a honra de receber um dos maiores líderes espirituais do país. Eu, que me acalento com as palavras de Frei Gilson diariamente, estou muito grato a Deus e emocionado pela oportunidade de recebê-lo aqui, em pleno Natal”, escreveu o prefeito no Instagram.

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À primeira vista a escolha parece óbvia, mas pode ser encarada com um outro significado. Gilson da Silva Pupo Azevedo, de 38 anos, se tornou um fenômeno nas redes sociais, onde só no Instagram acumula mais de 11 milhões de seguidores, mas o sucesso não veio necessariamente dos seus sermões. 

Nos últimos anos, Frei Gilson ficou famoso pelo teor conservador de suas mensagens aos fiéis. Conhecido como o “sacerdote anticomunista”, ele já fez menções negativas ao empoderamento feminino, classificou o debate ao racismo como “mimimi” e até mesmo já foi citado pela Polícia Federal (PF) no relatório do trama golpista que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a 27 anos e três meses de prisão.

POLÊMICAS

Em março deste ano, mês de comemoração ao Dia da Mulher, Gilson fez um dos seus discursos mais conhecidos, no qual defende a submissão das mulheres aos homens. 

"Essa é uma fraqueza da mulher: ela sempre quer ter mais. 'Eu não me contento só em ser… em ter qualidades normais de uma mulher. Eu quero mais'. Isso é ideologia dos mundos atuais. Uma mulher que quer mais… vou até usar a palavra que vocês já escutaram muito: empoderamento”, disse

"O homem, foi dado a ele a liderança, mas a mulher tem o desejo de poder. Não é desejo de serviço, é desejo de poder. Repito a palavra: empoderamento. Portanto, eu já começo a falar: a guerra dos sexos é ideologia pura, é diabólica. Para curar a solidão do homem, Deus fez você [mulher]. Ela nasceu para auxiliar o homem", complementou. 

Outro registro que viralizou mostra um comentário dele sobre o uso do termo "pretinha", que na sua avaliação é um apelido carinhoso. Ele  diz que, caso sua atitude despertasse acusações de racismo, seria por conta da “geração mimimi”.

“A gente tem a nossa querida pretinha aqui. Pretinha, todo mundo chama ela de pretinha. É o nome que a gente gosta de chamar carinhosamente, e aí é ‘preconceito’. É a geração do “mimimi”, do dodói. Talvez seja por causa disso que os pais estão fazendo os seus filhos serem dodóis”, disse.

O frei também já foi criticado por menções contrárias à homossexualidade. "A Bíblia diz que [a homossexualidade] é uma depravação grave. Não fui eu que criei isso. É palavra de Deus. É a palavra escrita por Deus e não por homens", defendeu frei Gilson durante uma entrevista a um podcast, em julho do ano passado.

Em mais um registro bastante comentado e recuperado pela web, mostra Gilson fazendo preces ao lado de outro frei. Juntos, eles pedem pelo “livramento do flagelo do comunismo”.

CITAÇÃO DA PF

Outro ponto controverso envolvendo Frei Gilson é a sua citação no relatório da PF sobre a trama golpista. Frei Gilson recebeu uma oração via mensagem de texto do padre José Eduardo de Oliveira e Silva, que chegou a ser indiciado nas investigações, mas não foi denunciado. 

Segundo a PF, o padre enviou a oração a frei Gilson e pediu que ele repassasse o conteúdo apenas a pessoas de "estrita confiança". Compartilhado após as eleições de 2022, o texto pedia a católicos e evangélicos que incluíssem os nomes envolvidos na trama. No relatório, o texto ficou conhecido como "oração do golpe".

Apesar de ser citado, frei Gilson não foi indiciado. O relatório também não indica se o sacerdote atendeu ou não o pedido do padre José Eduardo de Oliveira e Silva.

APOIO 

Apesar das polêmicas, o anúncio de Frei Gilson como uma das atrações do Natal de Salvador agradou. A maioria dos comentários da postagem são de apoio e agradecimentos. 

“Que presente. Ele é muito abençoado e será maravilhoso”, “O carequinha mais amado da Igreja Católica”, “Frei Gilson é ungido por Deus e nos enche de alegria e amor diariamente”, foram algumas das reações. 

A missa será realizada na Boca do Rio e está marcada para as 15h do dia 25 de dezembro. 

Classificação Indicativa: Livre

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