Política

Professores acusam Prefeitura de coação para fim da greve

Arquivo pessoal
A Prefeitura de Salvador convoca professores a retornarem ao trabalho em 24 horas, sob pena de demissão.  |   Bnews - Divulgação Arquivo pessoal

Publicado em 18/07/2025, às 14h00 - Atualizado às 14h00   Leonardo Oliveira e Daniel Serrano



Os professores da rede municipal de Salvador anunciaram nesta sexta-feira (18) o fim da paralisação da categoria, que já durava 73 dias. No entanto, educadores  da rede municipal de ensino contaram ao BNews que suspenderam a greve após ato publicado pela Prefeitura de Salvador feito na edição do Diário Oficial Municipal da última quinta-feira (18). 

De acordo com o decreto feito pela gestão Bruno Reis (União Brasil), a Secretaria Municipal de Gestão convoca os professores a "retornarem imediatamente às suas atividades laborais" em um "prazo improrrogável de 24 horas, a contar da data de publicação deste edital, para o efetivo retorno às atividades".

"O não comparecimento no prazo estabelecido será interpretado como abandono de função e descumprimento contratual, ensejando a rescisão imediata do contrato e a adoção das medidas administrativas cabíveis", diz trecho da publicação. 

Ao BNews, o professor Eudes criticou o que ele classificou como "ameaças" da Prefeitura de Salvador contra os grevistas e rebateu as tentativas de responsabilização  de diretoras e diretores pela paralisação das atividades dos professores. 

"Após 74 dias de greve, com muita resistência, muita luta, muita firmeza, com muita unidade na categoria, suspendemos a greve em razão das ameaças que sofremos do Executivo Municipal e do Judiciário também, que ameaçou as diretoras e os diretores com a responsabilização das escolas fechadas, sendo que a responsabilidade por abertura da escola é da Secretaria Municipal de Educação", disse Eudes. 

"Além disso, foi publicado no Diário Oficial do município ontem. Tem uma ameaça de demissão em massa dos professores e professoras em estágio probatório e das professoras com contrato temporário Reda. Em razão disso, para protegermos também nossos colegas, nós suspendemos a greve, mas nos mantemos em estado de greve", emendou. 

O também professor Tiago Martins se juntou ao colega e também condenou as, segundo ele, "ameaças a todos os professores Redas e professores que estão em estágio probatório". 

"Bom, ontem o Diário Oficial publicou ameaças a todos os professores Redas e professores que estão em estágio probatório. Então, em solidariedade a esses professores que foram ameaçados no Diário Oficial e que a imprensa pode constatar que foi muito mais de 10% às listas, que está da página 19 até a página 31, o que mostra que eles mentiram em dizer que só tinha 10% em greve, a gente retorna, mas retorna e está de greve porque ele não cumpriu exatamente nada", disse.

Martins ainda criticou as promessas feitas pela Prefeitura aos professores ao longo de toda a paralisação. 

"Tem promessas vazias, ele diz que vai dar o interstício, ele vai cumprir o interstício que o nosso plano de carreira falava, mas não diz quando, ele diz que vai estudar. Então, teremos a Assembleia para analisar esse estudo do prefeito para ver todas as questões que ele promete. Eu acho que promessa vaga, ele deixa o período eleitoral, em uma negociação ele tem que ter seriedade, planejamento, cronograma e datas", disparou. 

Apesar da suspensão da paralisação, os professores prometem seguir realizando assembleias para acompanhar as negociações da categoria com representantes da Prefeitura de Salvador e da Secretaria Municipal da Educação. 

"Vamos estar acompanhando o cumprimento desse acordo, já que a suspensão da greve também tem relação com o cumprimento. Então agora a bola está com ele. Então, prefeito Bruno Reis e secretário de educação Thiago Dantas, aguardamos que vocês cumpram todos os pontos do acordo. Assim como vocês estão propagando na grande mídia", garantiu Eudes.

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