Política
por Leonardo Oliveira
Publicado em 05/06/2025, às 13h15 - Atualizado às 13h30
A convenção nacional do PSDB chancelou, nesta quinta-feira (5), a união da legenda com o Podemos. Em votação expressiva, com 201 votos favoráveis e apenas 2 contrários, dirigentes e parlamentares tucanos aprovaram a incorporação do Podemos à estrutura do partido.
Com a decisão, a direção nacional do PSDB recebeu plenos poderes para finalizar as negociações com os dirigentes do Podemos. O presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, manifestou ao G1 a expectativa de que o acordo seja concluído e submetido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já na próxima semana.
Inicialmente, a cúpula tucana cogitou uma fusão, que resultaria na criação de um novo partido. Contudo, prevaleceu o entendimento de que a incorporação — em que um partido é absorvido pelo outro — seria a estratégia mais adequada.
Manobra para contornar regras da federação
A escolha pela incorporação visa evitar um imbróglio jurídico com o Cidadania, partido ao qual o PSDB está federado. As federações partidárias implicam uma união mínima de quatro anos.
Embora o Cidadania já tenha anunciado a intenção de se desvincular dos tucanos, a legislação atual só permite o rompimento em 2026, sob risco de sanções para ambas as legendas em caso de quebra antecipada. Com a incorporação, os dirigentes tucanos argumentam que o PSDB continuará existindo, contornando assim a restrição.
O deputado Aécio Neves (MG), presidente do Instituto Teotônio Vilela, entidade ligada ao PSDB, projeta que o TSE aprove a incorporação até outubro. Segundo ele, o novo partido deverá se chamar, a princípio, “PSDB+Podemos”. Alguns detalhes da união, como governança e número de urna (45 do PSDB ou 20 do Podemos), ainda estão em discussão.
Resposta à crise e busca por protagonismo
A união com o Podemos é resultado de meses de negociação e surge como uma tentativa do PSDB de superar o que muitos tucanos classificam como uma grave crise interna de identidade.
O partido, que já ocupou a presidência da República por duas vezes, tem enfrentado desgaste acentuado desde as eleições de 2018, com uma série de desfiliações. Neste ano, o PSDB perdeu dois dos três governadores eleitos em 2022: Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE), ambos migrados para o PSD.
O único governador tucano restante, Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), que tem sido sondado por outras siglas, declarou apoio “integral” à união durante a convenção, afirmando que a medida fortalecerá o partido.
Projeção de força e um “novo” PSDB
Com a incorporação, PSDB e Podemos poderão formar a sétima maior bancada da Câmara dos Deputados, com 28 parlamentares, e a quarta maior do Senado, com 7 senadores. A legislação eleitoral permite a migração de deputados sem punição em casos de incorporação partidária.
Aécio Neves acredita que a união trará mais “musculatura” ao PSDB, impulsionando novas filiações e permitindo que a legenda volte a disputar o comando do país, com potencial para eleger até 50 deputados federais em 2026.
Dirigentes tratam a incorporação como um marco para a renovação do PSDB, buscando restaurar suas bases históricas. Aécio Neves mencionou convites a tucanos históricos para retornarem e colaborarem na construção de um novo programa partidário, com o objetivo de se “radicalizar” no centro e atrair eleitores que não se identificam nem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O novo slogan, “Radical no que importa”, esteve presente em materiais distribuídos no evento.
Marconi Perillo detalhou que o novo programa partidário do PSDB se baseará em quatro pilares: combate veemente à desigualdade social, equilíbrio fiscal, gestão eficiente das políticas públicas e reformas estruturais.
“É hora de atualizar o nosso jeito de fazer política”, afirmou Perillo, destacando que o PSDB também está mudando junto com o Brasil. A convenção também abriu caminho para que a cúpula tucana negocie alianças com outras legendas.
O novo partido em números (projeções)
Considerando os resultados de 2022 e as projeções para 2026:
A distribuição de recursos em 2026 considerará a soma dos resultados eleitorais de 2022, independentemente de eventuais saídas de parlamentares durante o processo de união.
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