Política

‘Queriam construir um Elevador Lacerda na Praia do Buracão’, protesta ativista ambiental em Salvador

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Ambientalista questiona projeto de prédio de 17 andares e celebra decisão liminar contra sombreamento  |   Bnews - Divulgação Gabriel Bacelar / BNEWS
Adelia Felix e Gabriel Bacelar

por Adelia Felix e Gabriel Bacelar

adeliafelix@bnews.com.br

Publicado em 18/01/2026, às 12h24 - Atualizado às 12h29



O presidente da SOS Buracão, Miguel Sehbe, participou neste domingo (18) do protesto 'Sombreamento Zero', realizado na Praia do Buracão, em Salvador. Em entrevista ao BNEWS, ele relembrou a origem do movimento, que nasceu há três anos em reação a um alvará concedido pela prefeitura à construtora Odebrecht para erguer um prédio de 17 andares na orla.

Segundo Miguel, o projeto representaria um impacto direto na paisagem e na circulação de ar da região. “Eles estariam querendo construir um Elevador Lacerda aqui na Praia do Buracão. Para quem tivesse com o pé na areia, ficaria com um Elevador Lacerda bem na frente de todo mundo. E dizer que isso não vai sombrear a praia seria um absurdo”, afirmou.

O presidente explicou que a autorização se baseava no artigo 103 da Lei de Ordenamento do Uso do Solo (LOUS), que permitia às construtoras ampliar em até 50% o potencial construtivo de imóveis degradados e dispensava estudos de sombreamento. “Isso era um absurdo, porque o sombreamento das praias é matéria federal, estadual e municipal”, disse.

Miguel destacou que o movimento conseguiu uma vitória parcial na Justiça. Uma ação de inconstitucionalidade suspendeu liminarmente o artigo 103. “Não ganhamos a guerra, mas ganhamos uma batalha. Qualquer edificação em qualquer das praias de Salvador não mais pode sombrear. Quer dizer, está proibido o sombreamento. Está proibido o óbvio”, afirmou.

Durante a entrevista, ele comparou o impacto da construção prevista com marcos da cidade. “Aqui do lado seriam construídos 17 andares. Aquele prédio do fundo tem 9. Nós estaríamos dobrando aquele prédio, com pé na areia. Estamos falando em 70 metros de altura. O Elevador Lacerda tem 72. O Farol da Barra tem 22. Seriam três Faróis da Barra um em cima do outro aqui na Praia do Buracão”, disse.

Miguel também criticou o estudo de sombreamento apresentado pela construtora e afirmou que o movimento rebateu com pesquisa feita pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). “Rebatemos esse estudo da Odebrecht com o da UFBA. Provisoriamente ou parcialmente saímos vencedores porque está suspenso o artigo 103”, explicou.

O presidente ressaltou que o SOS Buracão busca qualidade de vida, acima de disputas políticas. “Estamos muito acima de direita, esquerda, centro. O que buscamos é qualidade de vida. Passou a ser uma pauta ambiental, obviamente”, disse.

Ele lembrou ainda que o Ministério Público da Bahia (MP-BA) lançou a campanha Sombreamento Zero e convidou o SOS Buracão para ser anfitrião do movimento.

“Com prazer estamos acolhendo. E com prazer também estamos recebendo essa chuvinha, que é muito bem-vinda para a natureza. As plantinhas ficam batendo palmas quando cai uma chuva dessa. Daqui a pouco sai o sol, a gente vai para a praia e está aí o movimento”, concluiu.

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