Política
A lobista Roberta Luchsinger, em entrevista concedida à CNN neste sábado (17), disse que fará uma delação premiada e não poupará nem o presidente Lula, nem o filho do presidente, Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha. A lobista é investigada pela Polícia Federal no escândalo de desvios do INSS.
Durante a entrevista, Roberta afirmou que decidiu tornar públicas as ameaças que diz estar recebendo após Lula chamá-la de “pilantra” em pronunciamentos transmitidos nacionalmente. Segundo ela, as declarações do presidente a expuseram a novos ataques e colocaram em risco a segurança dela e de suas duas filhas.
“Eu venho sendo imensamente agredida, imensamente agredida, porém, no momento que o presidente da República [Lula] foi ao ar pra mais de 200 milhões de telespectadores falar que eu era uma pilantra, por uma, duas, três vezes, eu tive que tomar a minha própria defesa”, declarou.
A lobista afirmou que vem sofrendo ameaças de morte e tentativas de intimidação. Segundo ela, as filhas também passaram a ser alvo de ataques nas redes sociais, incluindo mensagens com ameaças de violência sexual e agressões físicas.
“Eu sofro ameaça de morte, as minhas filhas sofrem ameaça, as minhas filhas sofrendo bullying, porque, a partir do momento que um presidente da República marca na minha testa que eu sou uma pilantra, ele abre, ele dá um apito pra tudo. Todo esse tipo de agressão”, disse.
Roberta afirmou que as ameaças já foram comunicadas às autoridades e que seus advogados apresentaram os relatos no âmbito do inquérito. Ela também declarou receber cerca de 50 ameaças de morte por dia.
“Se eu abrir meu celular por dia, eu recebo em torno de 50 ameaças de morte. As minhas filhas tiveram as redes sociais invadidas dizendo que seriam estupradas, esfaqueadas, são coisas pesadíssimas”, afirmou.
Lobista responsabiliza Lula por eventuais ataques
Na entrevista, Roberta disse que Lula colocou a própria vida em risco ao chamá-la publicamente de “pilantra”. Ela responsabilizou o presidente por eventuais consequências das ameaças contra ela e suas filhas.
“Eu queria deixar colocado, classificado que qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas vai ter a digital do presidente da República, vai ter a mão do presidente da República, vai ter o X de sangue que ele fez na minha testa. Porque ele me chamou de pilantra”, declarou.
A lobista argumentou que, por ainda ser investigada, não deveria ter sido publicamente tratada como culpada. Segundo ela, o presidente utilizou a visibilidade do cargo para expô-la a ataques.
“Um presidente que usa a máquina pública para pegar uma cidadã que está sendo investigada ainda e já me condena a todo tipo de crime, como ele fez, por uma, duas, três vezes. Ele está me jogando dentro de um círculo com leões para eu ser devorada e junto comigo eu tenho duas filhas”, afirmou.
Roberta também criticou o bloqueio de seus bens no curso das investigações e disse ter chegado ao limite diante da situação que enfrenta.
“Eu não sou pilantra, eu sou uma mulher sozinha, com duas filhas que estão enfrentando um processo que eu tenho certeza que 1% não aguentaria, porque eu estou passando, com duas filhas, com gente tentando me calar, com justiça me bloqueando todos os bens, possíveis e inimagináveis”, declarou.
Ao justificar sua decisão de falar publicamente, a lobista afirmou que precisa defender a própria integridade e a segurança das filhas. Ela também acusou Lula de agir de maneira “covarde” ao fazer declarações sobre ela em rede nacional.
As acusações e os relatos de ameaças foram apresentados por Roberta durante a entrevista. A afirmação de que pretende fazer delação premiada ocorre em meio às investigações sobre o esquema de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
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