Política

Salvador presta homenagem aos 190 anos da Revolta dos Malês

Gabriel Bacelar / BNews
Em comemoração, houve um ato de renomeação é um reconhecimento da luta dos muçulmanos na Revolta dos Malês  |   Bnews - Divulgação Gabriel Bacelar / BNews

Publicado em 25/01/2025, às 12h46 - Atualizado às 13h55   Gabriel Bacelar e Daniel Serrano



A Revolta dos Malês, um dos principais capítulos mais importantes na luta pelo fim da Escravidão ocorrida em Salvador, completa neste sábado (25) 190 anos. Para comemorar a data, houve um ato que oficializou a troca do nome da “Ladeira da Praça”, localiza ao lado da Câmara Municipal de Salvador (CMS), para “Ladeira dos Malês”.

A mudança se dá a partir de um projeto de autoria da vereadora Marta Rodrigues (PT), aprovado na Casa Legislativa e sancionada pelo prefeito Bruno Reis, no ano passado. A petista disse que a iniciativa para a troca do nome da ladeira partiu do professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), João José Reis, um estudioso do assunto e que tem um livro publicado em que conta a história da Revolta dos Malês.

“É muito justo a gente reconhecer os nossos que lutaram, os muçulmanos que lutaram heróis e fizeram com que as coisas acontecessem mudando. Então nós acatamos a ideia dele, a sugestão, apresentamos o projeto de lei, já tem um tempinho bom, viu?”, disse a vereadora.

De acordo com Marta Rodrigues, depois de tramitar na CMS, o projeto precisou passar pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) para que a mudança saísse do papel.

“A prioridade dos projetos nossos aqui de final de ano, a gente pediu que colocasse o nome da ladeira Revolta dos Malês, isso aconteceu e a gente ficou também acompanhando a sanção do prefeito, porque para o projeto acontecer e para a placa ser fixada, como vai ser daqui a pouco, o prefeito tem que sancionar e reconhecer esse fato histórico”, afirmou.

“Quando a gente rememora, coloca nas ruas os nomes daqueles e daquelas que lutaram para que hoje nós tivéssemos. Aqui nós estamos fazendo história e nós estamos trazendo também para a cidade que todos que vieram aqui, turista ou até moradores que não conhecem a história ainda vai ver o que foi a Revolta dos Malês.  Isso é bom porque vão buscar vão pesquisar para saber o que foi o que que esses muçulmanos nesse enfrentamento conseguiram”, emendou.

Marta Rodrigues destacou ainda que o ato não é uma simples troca de nome. A mudança é importante para que a população e turistas tenha conhecimento do fato histórico, que lutava pela liberdade dos escravizados em Salvador.

“A gente não vai fazer só uma troca de placa por trocar, tirar uma e colocar outra. A gente está trazendo toda uma história, todo um fato histórico que aconteceu, porque só aconteceu aqui na Bahia uma revolta dessa de rua, não tinha multidões, mas foi a única que aconteceu no Brasil, foi aqui na Bahia. Então não é qualquer coisa, é algo muito relevante. Por isso, quando a gente fala vamos substituir, não é tirar um e botar outro, é a gente trazer para aqui com todo esse nosso pertencimento da nossa história”, declarou.

“Esse nosso fato de ele traz esse significado imenso para a cidade de Salvador, que é essa cidade de maioria de negras e de negros de mais de 80% da nossa população. É onde tem mais negros e negras fora do continente africano. Então a gente precisa a todo momento estar dando ênfase e estar ressaltando. E o papel da Câmara é esse, é a gente elaborar as leis e buscar também nas comissões por onde tramita”, emendou.

A vereadora disse ainda que tem outro projeto que prevê uma mudança do nome da estação do metrô de Salvador do Campo da Pólvora para “Campo da Pólvora Malês”.

“Colocar a nova placa ali, a gente dizia: ‘por aqui teve luta, por aqui teve revolta e por aqui também os malês passaram’. Foi uma revolta que teve muito sangue. No Campo da Pólvora também, tem toda essa situação e a gente também tem um projeto também do Campo da Pólvora. A gente quer botar a estação do metrô Campo da Pólvora e acrescer Malês, para que as pessoas também conheçam quem vem”, finalizou.

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