Política

Secretário defende fim da escala 6x1: “Ninguém vive só para trabalhar”

Leonardo Santana / BNews
Em entrevista, secretário da Setre defende a proposta de emenda à Constituição que visa abolir a jornada de trabalho 6x1.  |   Bnews - Divulgação Leonardo Santana / BNews
Daniel Serrano

por Daniel Serrano

daniel.serrano@bnews.com.br

Publicado em 15/07/2025, às 13h18



A segunda edição do Giro Baiana, da rádio Baiana FM, entrevistou na última segunda-feira (14) o secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), Augusto Vasconcelos. 

Na oportunidade, o secretário defendeu a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim do regime de trabalho 6x1 apresentada pela deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) em fevereiro deste ano. 

"Primeiro, quero afirmar, sim, com todas as letras, a escala 6x1 é desumana. A ideia de uma pessoa trabalhar seis dias por semana e ter apenas um dia de folga joga contra as famílias brasileiras. Quer dizer, o filho estuda a semana inteira na escola, o tempo que tem para ver o pai ou para ver a mãe é o domingo e até no domingo estão trabalhando", disse o secretário.

O titular da Setre disse ainda que a redução da jornada de trabalho pode auxiliar o trabalhador a cuidar da saúde física e mental. 

"Eu penso que é necessário a gente construir um caminho de um diálogo sereno sobre o que é o mercado de trabalho. Ninguém vive só para trabalhar. As pessoas têm que ter o direito do convívio com a família, do espaço também, do lazer, da prática esportiva, do cuidado com a sua saúde física e mental", defendeu.

"O Brasil está vivendo uma epidemia de síndrome de burnout, que é o esgotamento físico e mental, síndrome do pânico, depressão, estresse exacerbado, ansiedade. As estatísticas de saúde mental demonstram isso", emendou. 

O secretário ainda minimizou a resistência de representantes do setor empresarial e do poder econômico pela redução da escala de trabalho por conta de eventuais perdas. 

"Quando acabou-se a escravidão no Brasil, muitos setores da elite econômica diziam que isso vai quebrar o país. Aí, depois de muitos anos, décadas que se passaram, veio a CLT e diziam que a CLT vai quebrar o país, porque ter direito trabalhista vai onerar o empresário, vai onerar o empregador. Quer dizer, ao longo do tempo, esse discurso de que ter direitos sociais quebram uma nação, ele sempre serviu de justificativa para evitar avanços, para evitar progresso", disse. 

"Porque se hoje a tecnologia, ela já permite que nós aumentemos a nossa produtividade e consigamos produzir muito mais do que produzimos no passado, por que que esse nível de produção não beneficia quem produz, que são os trabalhadores e as trabalhadoras?", questionou. 

Classificação Indicativa: Livre

Facebook Twitter WhatsApp Google News Bnews


Cadastre-se na Newsletter do Bnews (Beta)