Política
por Henrique Brinco
Publicado em 07/06/2026, às 15h16 - Atualizado às 15h18
O ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, consolidou espaço no Governo Lula 3 e ampliou sua influência em decisões estratégicas do Palácio do Planalto. Uma reportagem publicada pelo jornal O Globo neste domingo (7) mostra que o publicitário, responsável pela campanha do petista em 2022, passou a atuar além da comunicação e participa diretamente de debates sobre políticas públicas, gerenciamento de crises e articulações internas.
Lula chegou a questionar Sidônio após receber um relatório apontando que o perfil oficial do governo brasileiro nas redes sociais utilizava mais conteúdos com animais, como gatinhos e capivaras, do que imagens do próprio presidente. O ministro defendeu a estratégia digital e argumentou que o uso da imagem presidencial em canais institucionais possui limitações legais no Brasil. Ele também apresentou números de crescimento das redes do governo, que passaram de 1,6 milhão para 5,4 milhões de seguidores em um ano.
A atuação de Sidônio ganhou ainda mais relevância após crises enfrentadas pelo governo, como a onda de fake news envolvendo o Pix. Na ocasião, ele defendeu a revogação da norma sobre monitoramento de movimentações financeiras, avaliando que a medida havia se transformado em desgaste político para o Planalto. O episódio fortaleceu sua posição dentro do governo e ampliou seu acesso às decisões mais importantes da gestão petista.
A publicação relata ainda que o ministro também teve participação em discussões sobre temas como a chamada “taxa das blusinhas”, o escândalo do INSS e mudanças na área da segurança pública. Em alguns casos, Sidônio teria defendido substituições em cargos estratégicos para conter desgastes de imagem do governo.
A Secom também aumentou significativamente os investimentos em impulsionamento digital durante a gestão de Sidônio. O governo desembolsou R$ 132 milhões em 2025 e mais R$ 45 milhões entre janeiro e maio de 2026 para ampliar o alcance de conteúdos nas redes sociais e plataformas de streaming.
Nos bastidores, Sidônio é visto como um dos principais conselheiros de Lula e acumula tanto aliados quanto críticos dentro da Esplanada. Enquanto apoiadores avaliam que ele reorganizou a comunicação do governo e aproximou decisões da percepção popular, adversários internos afirmam que o ministro exerce influência excessiva e tenta resolver problemas complexos com foco em pesquisas e desempenho digital.
Natural de Vitória da Conquista, na Bahia, Sidônio construiu carreira como marqueteiro político e ganhou projeção nacional após comandar campanhas vitoriosas do PT, como a de Jaques Wagner ao governo baiano, em 2006, e a de Lula à Presidência, em 2022.
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