Política
O guarda municipal e diretor de comunicação do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), Marcelo Rocha, criticou, nesta quarta-feira (11), em conversa com o BNEWS, a “falta de diálogo” com o inspetor da Guarda Civil Municipal (GCM), Marcelo Silva. O sindicalista denunciou que cerca de 350 agentes estão atuando sem porte de arma e cobrou providências por parte da chefia. Em resposta, a corporação rebateu a informação e disse que "o número real é de menos de 300".
“O inspetor da Guarda Municipal vem se mostrando uma pessoa de pouco diálogo. Quando solicitamos informações, muitas vezes precisamos judicializar o pedido para obter respostas. Questionamos formalmente o número de 350 guardas sem porte e, até hoje, não houve retorno”, afirmou. Recentemente, o preparo dos guardas municipais foi questionado após um agente balear um casal na Avenida Tamburugy, em Piatã, na orla de Salvador, no domingo (8).
“Esses guardas ainda não tiveram a oportunidade de fazer o curso de capacitação em armamento e tiro. Além disso, quem já tem porte corre o risco de perder por não cumprir as 80 horas anuais de curso exigidas pela Polícia Federal”, acrescentou.
Marcelo Rocha também apontou a carência de efetivo como um dos principais problemas enfrentados pela categoria. “Nós somos 1,4 mil agentes. Em um ano, passamos cerca de oito meses trabalhando sozinhos. Digo 'sozinhos' porque, normalmente, há dois guardas por posto patrimonial, mas, com férias e licenças, o efetivo fica desfalcado. Isso compromete a segurança e as condições de trabalho”.
Em resposta o BNEWS, a GCM enviou nota e esclareceu que, "ao contrário da informação inicial de que 350 guardas atuam sem porte, o número real é de menos de 300. A maioria desses guardas participou do curso exigido, mas não foram aprovados nas avaliações técnicas, como a de tiro. Muitos tentaram retestes e ainda não conseguiram se habilitar".
A nota prossegue: "O Centro de Formação da Guarda realiza capacitações contínuas ao longo do ano, oferecendo cursos que contam como estágio de qualificação profissional. Um levantamento está em andamento para apresentar à Polícia Federal tudo o que foi feito em termos de qualificação nos últimos três anos, buscando reconhecimento dessa formação. Entre esse número de guardas, há ainda aqueles impossibilitados de atuar por questões psicológicas ou afastados para tratamento de saúde".
Na nota, a corporação ainda pontua que, "atualmente, a Guarda Municipal conta com aproximadamente 1.370 servidores, dos quais 1.100 têm acesso ao porte de arma. A gestão trabalha para que todos os guardas tenham armamento necessário, considerando análises de risco" e que "a questão do armamento e das capacitações é uma prioridade constante na gestão da Guarda Civil Municipal".
A corporação também rebateu a alegação sobre falta de diálogo: "O contato com o sindicato é mantido conforme necessário, e as informações são prestadas dentro dos prazos estabelecidos. Há um prazo de 72 horas para acesso a certas informações relevantes. Muitas respostas às demandas sindicais são fornecidas por representantes das áreas técnicas da Guarda Civil Municipal".
Greve e salários baixos
Questionado sobre a participação da Guarda Municipal na greve dos servidores de Salvador, iniciada em 27 de maio, Marcelo Rocha disse que a categoria tem participado apenas das assembleias, mas segue desempenhando normalmente suas atividades.
Ainda na entrevista, ele criticou a falta de valorização profissional. “Todos esses problemas enfrentados pela categoria são reflexo dos baixos salários pagos aos agentes. O salário inicial é de R$ 1.622. Com esse reajuste de 4,83% anunciado pelo prefeito, sem negociação com a categoria, vai para R$ 1.700. Isso não resolve”, concluiu.
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