Política
por Analu Teixeira
Publicado em 17/12/2025, às 17h22
Em pronunciamento contundente no plenário do Senado, a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) fez um alerta sobre o que classificou como uma forte pressão de uma multinacional farmacêutica para proibir a manipulação da tirzepatida em farmácias de manipulação no Brasil.
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Segundo a parlamentar, a medida estaria sendo defendida sob o argumento de proteção à saúde pública, mas teria, na prática, o objetivo de garantir reserva de mercado e monopólio para produtos industrializados.
“A narrativa de ilegalidade é uma falácia. O que está em jogo não é a segurança dos pacientes, mas o lucro de uma única empresa estrangeira”, afirmou a senadora na tribuna.
Soraya destacou que as farmácias de manipulação atuam exclusivamente com prescrição médica individualizada, obedecendo às exigências legais e sanitárias previstas na Lei nº 9.279/1996, além de normas técnicas da própria Anvisa.
Durante o discurso, a parlamentar citou nominalmente a farmacêutica Eli Lilly, detentora do medicamento, ressaltando que a própria empresa já admitiu não ter capacidade de atender à demanda nacional. Para Soraya, impedir a manipulação do princípio ativo criaria um cenário grave.
“Proibir a manipulação não só criaria um monopólio, como deixaria milhares de pacientes sem acesso ao tratamento e estimularia o contrabando”, alertou.
A senadora também chamou atenção para a entrada irregular da tirzepatida pelas fronteiras do país, especialmente pela região do Paraguai com Mato Grosso do Sul, que classificou como uma das mais permeáveis do Brasil.
Segundo ela, o verdadeiro risco à saúde pública está justamente no mercado ilegal, sem qualquer tipo de controle sanitário. “Se a produção legal for interrompida, a demanda não desaparecerá. Ela apenas migra para o mercado ilegal”, disse.
Soraya defendeu que, em vez de proibir uma atividade econômica legítima, o poder público deve reforçar a fiscalização, punindo maus profissionais sem criminalizar todo um setor que gera emprego, renda e garante acesso a tratamentos. Ela ainda fez um alerta direto a agentes públicos envolvidos em decisões sobre o tema, afirmando que medidas equivocadas podem resultar em responsabilização civil e criminal.
Ao final, a senadora pediu apoio dos colegas para barrar o que chamou de interferência indevida de interesses privados. “Não podemos ceder à pressão de quem visa apenas o lucro, sem gerar um emprego sequer no nosso país. A saúde do povo brasileiro não está à venda. E ponto final”, concluiu.
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