Política
Publicado em 06/02/2025, às 06h31 Rebeca Santos
Um relatório da Polícia Federal (PF), que resultou na denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra três deputados federais do PL, revela vários diálogos entre os parlamentares sobre a destinação de emendas parlamentares para o município de São José do Ribamar, no Maranhão.
De acordo com a PGR, entre janeiro e agosto de 2020, os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA), Pastor Gil (PL-MA) e Bosco Costa (PL-SE), com o auxílio de outras pessoas, teriam solicitado propina ao prefeito da cidade, Eudes Sampaio Nunes, em troca da liberação de recursos federais.
A denúncia aponta que o líder do grupo era Josimar Maranhãozinho, que já havia sido flagrado em outra investigação com maços de dinheiro. A PGR afirma que os indícios demonstram a formação de uma organização criminosa liderada por Josimar, voltada para a negociação indevida de emendas parlamentares.
Entre as evidências citadas está uma conversa ocorrida em novembro de 2019 entre Josimar e o agiota Josival Cavalcanti, conhecido como "Pacovan", um dos integrantes da suposta organização. Na ocasião, eles discutiam abertamente sobre as emendas em investigação.
Em dezembro do mesmo ano, Pastor Gil consultou Josimar sobre quais municípios deveriam receber os recursos, e Josimar indicou que R$ 1.048.000 deveriam ser destinados a São José do Ribamar, o que, segundo os autos, de fato aconteceu.

Segundo informações do Metrópoles, Josimar Maranhãozinho entrou em contato com o deputado Bosco Costa, que enviou uma lista de municípios habilitados a receber emendas conforme a Portaria nº 3.673/2019. Como São José do Ribamar não estava incluída, Josimar pediu que Bosco resolvesse a situação. Após a liberação das emendas, o foco passou a ser a cobrança de propina, tarefa atribuída a Pacovan.

O prefeito de São José do Ribamar, José Eudes, teria se recusado a pagar a propina, alegando que as emendas não haviam sido patrocinadas por Josimar, mas por outra liderança. Diante da recusa, Pacovan enviou mensagens a Josimar pedindo que ele ligasse urgentemente para esclarecer quem seria o responsável pela indicação das emendas.

Após as negativas do prefeito, tanto Josimar quanto Pastor Gil teriam assumido a articulação direta com Eudes. Em 2020, Pastor Gil informou a Josimar que o prefeito havia agendado uma reunião para discutir o assunto das emendas. Pacovan, em uma mensagem enviada a Josimar, relatou que foi "atrás do prefeito", mas que ele teria "corrido com medo".

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