Política
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pagou a hospedagem do ex-senador Francisco Feitosa (Republicanos), conhecido como Chiquinho Feitosa, em um hotel de luxo em São Paulo, às vésperas de um julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a abertura de cursos de medicina. O ex-parlamentar, então cunhado do ministro Gilmar Mendes, ficou três noites no Rosewood, onde a diária de um quarto com duas camas king size custa R$ 31.552, conforme cotação consultada nesta quinta-feira (8). As informações são do Estadão.
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De acordo com o jornal, áudios e documentos extraídos do acervo de Vorcaro mostram que o advogado Ciro Soares, que representava o banqueiro, intermediou a alteração das datas da reserva. Em 22 de maio de 2024, ele enviou uma mensagem ao empresário informando que Chiquinho queria antecipar a chegada ao hotel. Vorcaro respondeu apenas “ok” e, menos de uma hora depois, encaminhou diretamente ao ex-senador o comprovante da hospedagem.
Após deixar o hotel, Feitosa agradeceu ao banqueiro por mensagem: “Saindo agora do hotel, foi tudo ótimo! Obrigado e bom fim de semana”. O ex-senador confirmou para a publicação que recebeu um voucher de Vorcaro para participar de um evento beneficente patrocinado por empresas com o objetivo de arrecadar donativos para o Hospital do Amor.
A hospedagem ocorreu dois dias antes do início de um julgamento virtual no STF relacionado à abertura de novos cursos de medicina. O tema interessava a Vorcaro porque ele havia investido em faculdades que buscavam autorização para oferecer as graduações. Nas conversas, Feitosa também mencionou uma tentativa de reunião com o ministro da Educação, Camilo Santana, para discutir o assunto.
Em 30 de maio, Ciro Soares comemorou com Vorcaro o desfecho de um dos julgamentos. “Encerrou o julgamento da questão da Medicina!!! Vencemos”, escreveu. O advogado explicou que o processo relacionado às faculdades de medicina, sob relatoria de Gilmar Mendes, havia sido concluído. O julgamento estabeleceu uma regra de transição que permitiu ao Ministério da Educação continuar analisando processos administrativos já em estágio avançado, sem autorizar automaticamente a abertura dos cursos.
Procurado, Gilmar afirmou que votou contra a abertura indiscriminada de cursos e seguiu o entendimento do governo federal. Em nota, declarou que não tratou do julgamento com Vorcaro, Feitosa ou as demais pessoas citadas nas mensagens. O ministro ressaltou que a regra de transição não autorizou a abertura de cursos ou vagas, cabendo ao MEC avaliar cada caso.
O episódio se soma a revelações anteriores sobre a relação entre Feitosa e Vorcaro. Ainda o Estadão, o ex-senador negociou um contrato para receber R$ 500 mil mensais do banqueiro e discutiu processos no STF, além de ter articulado uma reunião da equipe do empresário no gabinete de Gilmar. Feitosa é irmão de Guiomar Feitosa, advogada que foi casada com o ministro até 2025. Ele nega ter tratado com Gilmar de assuntos de interesse de Vorcaro.
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