Política

Vorcaro tinha “paranoias” e pediu investigação sobre “atividades suspeitas” na Bahia

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Vorcaro reclamou com Mourão que um drone estava sobrevoando sua casa no condomínio Lagoa do Miguelão, em Nova Lima  |   Bnews - Divulgação reprodução
Rebeca Santos

por Rebeca Santos

Publicado em 17/06/2026, às 08h32



O relatório da Polícia Federal que analisa o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, tornado público esta semana pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Mestre no Supremo Tribunal Federal, revela uma certa paranóia do ex-banqueiro de estar sendo perseguido em diferentes lugares.

Nas mensagens de WhatsApp trocadas com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o homem que comandava o “trabalho sujo” para Vorcaro, conhecido como Sicário e que se suicidou na prisão , o ex-banqueiro pedia que seus capangas investigassem “atividades suspeitas” contra ele em Minas Gerais, na Bahia e até em um clube na Riviera Francesa.

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Em abril de 2024, Vorcaro reclamou com Mourão que um drone estava sobrevoando sua casa no condomínio Lagoa do Miguelão, em Nova Lima (MG). Ele pediu que “A turma” fosse ao local fazer uma “seleção”.

Mourão respondeu que mandaria alguém imediatamente para apreender o drone e perguntou se o representante da “turma” deveria ir de “viatura” ou “descaracterizada”. Vorcaro respondeu: “Acho que viatura melhor ne. Que aí quem fez ficar com medo. Se não conseguir pegar”.

Mourão sugeriu registrar um boletim de ocorrência no Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais, mas Vorcaro rejeitou a ideia para não levantar suspeitas. O chefe da turma também falou em providenciar um dispositivo anti-drone para deixar na casa do condomínio.

A ordem foi cumprida no dia seguinte, com a visita de um policial federal que mora em Belo Horizonte e, segundo a PF, integrava a “turma”.

Mourão avisou Vorcaro sobre a ida do policial, e a Polícia Federal confirmou a entrada dele nos registros da portaria do condomínio. Nas conversas não há registro de que o policial Roseno tenha descoberto o dono do drone.

O relatório também registra pedidos de Vorcaro para investigar a placa de um carro que poderia estar seguindo o ex-banqueiro. Outro caso envolve um helicóptero que teria sobrevoado por “40 minutos!” a casa dele em Trancoso, na Bahia, em janeiro de 2025.

No caso do helicóptero, Vorcaro mandou Mourão descobrir “a mando de que empresa” o voo tinha sido contratado e pediu para ele “ir em cima”.

A investigação da “turma” revelou que a aeronave pertencia à Prime, empresa de propriedade partilhada da qual o próprio Vorcaro era sócio.

O assunto terminou com Mourão cobrando os pagamentos para o grupo: “estamos a deriva desde dezembro”.

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