Política
por Daniel Serrano
Publicado em 20/02/2026, às 16h40 - Atualizado às 16h41
O senador Jaques Wagner (PT) decidiu abrir o jogo e comentar sobre a polêmica saída do senador Angelo Coronel e de seus filhos, os deputados Diego e Angelo Coronel Filho, do PSD e do grupo liderado pelo PT na Bahia. As declarações foram dadas nesta sexta-feira (19), em entrevista ao canal do YouTube Caraíbas FM.
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Em tom conciliador, Wagner fez questão de ressaltar que a decisão de Coronel o deixou triste e destacou a trajetória conjunta que ambos construíram na política da Bahia.
"Eu fico triste com a saída de Angelo Coronel, do filho dele e do filho dele deputado estadual. Afinal de contas, nós construímos uma caminhada juntos", afirmou o senador.
O petista lembrou que Coronel foi presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e chegou a ser candidato a senador dentro do mesmo grupo político ao qual Jaques Wagner pertence. "Toda a Bahia sabe que eu trabalhei muito pela eleição de Angelo Coronel, que não tinha, vamos dizer assim, a mesma popularidade que eu", completou.
Wagner revelou que o estopim foi a organização das vagas para o Senado na chapa majoritária. Com o ex-governador Rui Costa (PT) consolidado para uma das cadeiras, restava apenas uma vaga para ser disputada entre Wagner e Coronel. O petista revelou que tentou uma saída diplomática, que foi prontamente rejeitada por Coronel.
O petista lembrou que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, poderia ter saído do cargo de governador ainda em abril de 2022 para se candidatar ao Senado, mas preferiu respeitar a tradição do grupo e concluir sua gestão. Wagner também destacou que tanto ele quanto Rui Costa optaram por não antecipar suas candidaturas, respeitando um entendimento estabelecido no grupo político, que sempre permaneceu unido até o último momento.
“Cheguei para Coronel e disse: 'Coronel, não vamos brigar por causa disso, vamos ver como é possível fazer e até dividir o mandato, eu fico quatro anos e você fica quatro anos'. Ele tomou como uma ofensa e disse que tinha que ser candidato a senador”, detalhou Wagner.
O senador petista pontou ainda que o cenário se agravou após Coronel ter pedido a Otto Alencar que o PSD ficasse fora de qualquer coligação para que ele pudesse ser um candidato "solto". “Otto tomou isso como uma descortesia”, disparou o senador.
Questionado sobre a possibilidade de ter sido suplente de Coronel — conversa que teria ocorrido na casa do próprio senador do PSD —, Wagner foi enfático: "Alguém fez essa pergunta e eu nem respondi".
"Tenho muito carinho pela família dele. Eu só acho que ele não teve a compreensão de que era mais nobre manter a unidade do grupo do que dizer que era candidato", emendou o petista.
Apesar das divergências, Wagner garantiu que não faria campanha contra o ex-colega. “Eu não desejo mal a ninguém. Só não sei se vai ter sorte, porque quem sai desse grupo para ir para o grupo de lá não teve muita sorte, não. O MDB estava aqui e foi para lá; tinha 100 prefeitos e caiu para 10”, relembrou.
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