Educação

"Minha filha não é um boleto", diz mãe de menina que tentou o suicídio por bullying no Sartre COC

Ademilson Nunes
Bnews - Divulgação Ademilson Nunes

Publicado em 26/10/2018, às 12h03   Chayenne Guerreiro



Medo, desespero, tristeza, angústia. Raquel Terra viu sua vida virar de cabeça para baixo após tomar conhecimento que esses sentimentos povoavam a cabeça de sua filha de 13 anos de idade. De acordo com a mãe, a menina tentou o suicídio após sofrer violência psicológica dentro da escola onde estudava.

O Brasil é o quarto país com maior prática de bullying no mundo. 43% dos estudantes de 11 a 12 anos disseram ter sido vítima de violência física ou psicológica na escola pelo menos uma vez no mês, conforme aponta pesquisa do Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef).

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Segundo Raquel, o primeiro caso de violência aconteceu quando a garota tinha oito anos de idade e ingressou no colégio Sartre COC, unidade Monet.  A menina começou a apresentar crises de ansiedade e estresse pós-traumático por causa da violência psicológica sofrida. Os transtornos desencadearam uma depressão profunda. O Bnews esteve na casa da família, e escolheu, por conta do frágil estado emocional da jovem, não entrevistá-la.   

A pior crise aconteceu em agosto deste ano e acendeu um alerta na família. A adolescente começou a se cortar. Encaminhada a um hospital psiquiátrico e medicada, a menina teve que ficar sob vigilância 24 horas em uma tentativa de conter os impulsos suicidas. No diário da jovem, relatos de desespero e solidão preenchem as páginas.

Raquel conta que procurou o colégio inúmeras vezes na tentativa de ter uma colaboração sobre os problemas sofridos pela menina, dentro da instituição, mas que nunca teve uma resposta satisfatória. Sem conseguir se concentrar, a garota começou a acumular notas vermelhas, até que, por fim, teve a bolsa de estudos retirada. A mãe agora procura na Justiça um alento para todo o sofrimento vivido. 

“A minha luta é para que dentro desta escola isso nunca mais aconteça com criança nenhuma. Isso tem que acabar. Se a lei existe tem que cumprir. Chega! A escola não pode se omitir e deixar isso acontecer e não fazer nada. Há muitos anos, reclamamos deste problema e as políticas anti-bullying nunca foram eficientes e nunca existiram de verdade”, afirma.

O BNews esteve no colégio Sartre COC, unidade Monet. A direção da instituição preferiu não gravar uma entrevista, mas conversou com a reportagem e afirmou ter “total tranquilidade com a política anti-bullying empregada pela instituição”.

Assista o relato feito no diário da menina:

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