Salvador

Vereador acusa "motivação ideológica" em recusa de relator sobre troca do nome de avenida em Ondina

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Publicado em 28/07/2021, às 11h52    Arquivo / BNews    Luiz Felipe Fernandez

O vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB) afirmou nesta quarta-feira (28) que o parecer contra o projeto de lei de sua autoria que propõe a mudança do nome da Avenida Adhemar de Barros, em Ondina, em Salvador, para Avenida Milton Santos, tem motivação "ideológica". 

Apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro, entusiasta do golpe militar de 1964, o vereador Alexandre Aleluia, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de Salvador (CMS), justificou a recusa com base na lei municipal 3.073/1979, que prevê a manutenção do nome dos logradouros cuja "tradição já consagrou", exceto em caso de "duplicatas ou multiplicata" das ruas.

Adhemar de Barros foi prefeito e governador de São Paulo, que se posicionou contra a Revolução de 1930 e foi favorável à Ditadura Militar, apesar de ter sido deposto do cargo no governo de Castelo Branco. 

Já Milton Santos, destaca Augusto Vasconcelos, é uma referência mundial no campo da geografia. Ele foi professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), cujo maior campus fica sediado em Ondina, por onde passa a Av. Adhemar de Barros.

"É um absurdo essa posição do presidente da CCJ. A avenida que passa pela Ufba deveria homenagear alguém que tem uma ligação forte com a nossa história e que é uma referência intelectual ao nível internacional, que é Milton Santos, reconhecidamente um dos maiores geógrafos da humanidad e que foi profesor da faculdade, nada mais justo do que fazer essa alteração. Enquanto isso Adhemar de Barros foi um político ultra-conservador, que ficou conhecido pela expressão popular 'rouba mas faz'", declarou o vereador em conversa com o BNews.

"Não tenho dúvidas que a posição de Aleluia tem motivação ideológica e não podemos admitir isso, não há inconstitucionalidade no projeto e nem fere a legalidade. Não é apenas o nome de uma rua, é uma reparação histórica que está em jogo", completou.

Ele confirmou que vai recorrer da decisão da CCJ.

Em 2014 esse foi tema de debates na Câmara de Salvador também. Na época, o então vereador Gilmar Santiago (PT) lutou para troca do nome da avenida

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