Salvador

Em protesto por melhores condições de trabalho, salva-vidas não assumem postos em Salvador

Divulgação/Salvamar
De acordo com coordenador de associação, Salvamar enfrenta más condições de estrutura material e defasagem no número de agentes   |   Bnews - Divulgação Divulgação/Salvamar

Publicado em 20/09/2021, às 16h53   Léo Sousa



Salva-vidas de Salvador reduziram a atuação nos postos fixos de trabalho nas praias da capital baiana. A ação ocorre em protesto por melhorias nas condições de trabalho.

De acordo com Pedro Barretto, coordenador geral da Associação Baiana de Salvamento Aquático (Abasa) e diretor do Sindicato dos Servidores da Prefeitura de Salvador (Sindseps), no domingo (20), de 36 postos que costumam funcionar diriamente, apenas 11 foram ocupados pelos agentes do Salvamar. Segundo ele, o movimento já vinha acontecendo aos poucos, por falta de estrutura de trabalho para os salva-vidas. 

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"O agente fica no posto sem uma cadeira, sem uma boia ou com uma boia lascada. Ele diz 'vou ficar na sede [do Salvamar], mas não vou assumir o posto'. Esse movimento foi crescendo. Em uma assembleia, sexta, queriam paralisar, e a ideia mais inteligente foi seguir esse movimento. O pessoal, 70% tem trabalhado normalmente, cumprindo a carga horária, na sede e fazendo rondas nas praias, mas não tem se exposto a ficar nos postos [...] A ideia não é deixar a população desassistida. É chamar atenção para a nossa causa. Usamos veículos, fazemos ronda, mas com menos postos ostensivos", explicou o coordeandor ao BNews.

"A gente não tem condição de trabalho há um bom tempo [...] Boias velhas... O agente fazendo o salvamento e a boia parte. Situações assim que têm colocado o agente em risco. A gente quer estrutura de trabalho. Estamos abandonados", critica.

De acordo com Barretto, além das más condições de estrutura material, o Salvamar enfrenta defasagem no número de agentes.

Ele aponta que, segundo o Portal da Transparência, o órgão conta com 245 salva-vidas, enquanto o quadro de plano de cargos do município estabelece o mínimo de 280 agentes.

"Falta recurso humano e material [...] Pelo menos 30% [da equipe] tem idade avançada... deveria estar atuando mais em prevenção, educação, não no trabalho ostensivo. A gente precisa de um reforço maior. O verão dos verões vem aí, com a demanda reprimida o pessoal vai vir com tudo", afirma.

Somente na área de atuação do Salvamar, atualmente restrita ao trecho da orla atlântica entre as praias de Jardim de Alah e Ipitanga, foram registradas neste ano 580 ocorrências, com quatro mortes por afogamento.

Reunião

Após a diminuição do número de salva-vidas nos postos, segundo Pedro, a Secretaria Municipal de Ordem Pública, responsável pelo órgão de salvamento, se reuniu com representantes da categoria na manhã desta segunda-feira (20). 

De acordo com o coordenador-geral da Abasa, a Semop ascenou para o atendimento de demandas dos salva-vidas, mas sem definição. Amanhã (21), às 9h, a categoria realizará uma assembleia na Praça Municipal.

Procurada, a secretaria respondeu que já está em diálogo com representantes dos salva-vidas e que "os equipamentos já estão sendo comprados e as solicitações da categoria já estão sendo atendidas".

A pasta acrescenta ainda que vem tratando com a Secretaria Municipal de Gestão (Semge) sobre a contratação de aprovados no último concurso para o Salvamar.

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