Salvador
Publicado em 22/02/2025, às 18h16 Douglas Santana e Rebeca Santos
Um dos produtos mais consumidos nos circuitos oficiais do Carnaval de Salvador são as cervejas da marca Brahma, que tem um contrato de exclusividade com a prefeitura da capital baiana.
Em entrevista para o BNews, os vendedores credenciados reforçaram a contestação dessa medida, que se prolonga por anos nos festejos carnavalescos.
A ambulante Ana Cristina, 52 anos, revelou que os vendedores só podem vender as cervejas produzidas pela cervejaria Ambev, e, caso a medida seja descumprida, correm o risco de perder a mercadoria.
“Estou aqui há 8 dias para guardar o lugar, para ir pegar o material, e depois ainda correr atrás do dinheiro para gente ir trabalhar. E, às vezes, não somos nem valorizados, porque até a própria prefeitura tira a gente do lugar. Hoje temos que trabalhar com o material que é designado pela própria cervejaria. Não podemos trabalhar com materiais que não são ligados à festa, e, se a gente trabalhar com esse material, temos ainda o risco de perdermos esse material e aquele que a gente tomou emprestado. A gente não tem a possibilidade de pagar e ainda não levar o sustento para casa”, contestou.
Outro ponto de insatisfação dos ambulantes são os valores de compra e revenda, que devem seguir um padrão imposto pela cervejaria, impossibilitando os vendedores de escolher o valor de revenda das cervejas.
“Água é R$ 16,00; cerveja, depende da cerveja, é valores variados, de R$ 40 reais para cima. Ainda somos obrigados a vender pelo preço deles, porque nós não podemos valorizar a nossa mercadoria e a nossa mão de obra. Nós não temos valor nem no nosso trabalho”, contestou.
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