Salvador

Ato em defesa dos baobás sagrados denuncia desmatamento e avanço imobiliário no Rio Vermelho

José Gabriel / BNews
Com o lema 'Proteger é um ato ancestral', o protesto destaca o impacto da especulação imobiliária e desmatamento de baobás sagrados  |   Bnews - Divulgação José Gabriel / BNews

Publicado em 17/01/2026, às 12h30 - Atualizado às 12h35   Thiago Teixeira e José Gabriel



Representantes de povos e comunidades de religiões de matrizes africanas realizaram, na manhã deste sábado (17), um ato público em defesa dos baobás sagrados e de outras árvores ameaçadas de supressão no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. A manifestação aconteceu na pracinha da Rua Nelson Gallo e reuniu lideranças religiosas, moradores, ambientalistas e parlamentares.

baobás sagrados
Baobá desmatado | Foto: José Gabriel / BNews

Com o lema "Proteger é um ato ancestral", o protesto foi liderado pela yalorixá Jaciara Ribeiro e chamou atenção para o corte de árvores considerado irregular pelos manifestantes, em uma área que estaria sendo impactada por obras ligadas à especulação imobiliária.

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A reportagem do BNews esteve no local e conversou com participantes do ato. Presente na mobilização, a vereadora Marta Rodrigues (PT) criticou a autorização concedida para a supressão da vegetação e afirmou que a situação revela um padrão recorrente de ataques ambientais no bairro. Na opinião dela, a área aqui do Rio Vermelho vem sendo atacada recorrentemente pela especulação imobiliária.

Vão desmatando, vão dando alvará de supressão de vegetação. Aqui derrubaram baobá, siriguela, tantas árvores. E quando a gente fala de baobá, a gente fala da nossa ancestralidade. São testemunhas da nossa história, da história do povo do axé, símbolo de resistência do povo negro", afirmou ao BNews.

A vereadora também ressaltou a importância ambiental das árvores para a qualidade de vida urbana e criticou a substituição de áreas verdes por concreto e destacou ainda o simbolismo do ato acontecer em um sábado, dia dedicado às yabás nas religiões de matriz africana.

Nós queremos sombra de árvore, não sombra de cimento. A população de Salvador está ficando idosa e, sem árvores para respirar, como é que vai ficar? A prefeitura jamais poderia estar liberando a supressão dessas árvores. Não tinha que ser cortada nenhuma. Sábado é dia das yabás, dia de mamãe Oxum, das águas. A chuva caiu, os ojás foram amarrados para garantir que os baobás continuem de pé e vivos, pela nossa ancestralidade. O prefeito precisa parar esse absurdo", reforçou.
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Área do Rio Vermelho que tem sido desmatada | Foto: Zé Gabriel / BNews

Um dos organizadores do protesto, Clerival Franco, explicou que, além do valor simbólico e cultural, as árvores cumprem funções ambientais essenciais, inclusive na contenção do solo. Inclusive, ele mesmo foi uma das pessoas responsáveis pelo plantio.

Essas árvores têm uma importância fundamental na proteção desse talude. Aqui tem um desnível de 15 a 20 metros. Sem vegetação, o risco de desmoronamento é enorme, especialmente em períodos de chuva. Isso já aconteceu ali embaixo", alertou.

Segundo Clerival, diversas espécies nativas foram plantadas ou preservadas na área ao longo dos anos, como aroeira, umbu, jenipapo e amora. Ele conta que foi surpreendido ao receber imagens do corte dos baobás durante a semana.

Na terça-feira recebi um vídeo de um vizinho mostrando que estavam cortando os baobás. Quando fui questionar, a construtora disse que tinha autorização. Mas só o fato de eles subirem para dar satisfação já mostra que a situação não está regularizada", disse.

O organizador também levantou suspeitas sobre a legalidade da intervenção. "A autorização apresentada fala em retirada de apenas cinco árvores, mas mais do que isso já foi suprimido. E tem um detalhe grave: essa área aqui não é privada, é uma área pública. Estão tentando invadir para economizar na contenção do prédio. Além de ignorância ambiental, é um erro econômico, porque essas árvores valorizam o próprio empreendimento", criticou.

Os manifestantes afirmaram que pretendem seguir mobilizados e cobrar providências da Prefeitura de Salvador e dos órgãos ambientais para impedir novos cortes e garantir a preservação dos baobás e da vegetação remanescente no local.

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