Salvador
por Thiago Teixeira
Publicado em 26/09/2025, às 10h56 - Atualizado às 12h50
Uma família de Salvador passou por um momento de bastante constrangimento e revolta durante o enterro de um ente querido no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas, no último dia 27 de agosto deste ano. Eles encontraram restos mortais não identificados um jazigo vitalício adquirido pela família.
Os jazigos vitalícios são espaços de sepultamento que podem ser usados por toda a vida do comprador e de seus familiares. A família conversou com o BNews sob a condição de anonimato. Eles relataram que, no local, já foram sepultados diversos entes queridos ao longo dos anos.
Para manutenção desse espaço, a família afirma que sempre arcou com elevados custos, inclusive com taxas periódicas, sepultamentos e exumações. No dia do enterro, a família acreditava que o local guardava cinco ossuários.
Porém, ao abrir o jazigo, todos foram surpreendidos por dois sacos plásticos pretos, próprios para lixo, contendo ossos humanos visíveis, além de apenas três ossuários. A cena chocante fez um dos familiares presentes passar mal e precisou ser retirado do local.
A família relatou à reportagem que não tem certeza se os restos mortais encontrados no jazigo eram, de fato, de seus familiares. Além disso, ainda alegam que os os coveiros não souberam explicar a origem dos sacos ou a quem pertenciam aqueles restos mortais.
Além de exumarem sem a presença de um familiar, o saco de lixo não era apropriado para um corpo humano, principalmente de um ente querido. Estamos todos muito indignados e inseguros pois ninguém garante que os corpos que estão lá são dos familiares. Tamanho descaso", afirmou um dos familiares, sob sigilo.
O caso foi registrado como vilipêndio de cadáver e furto na Delegacia Territorial de Brotas. A família ainda afirmou ao BNews que pretende processar o Cemitério Jardim da Saudade já que as contas indicavam que deveriam existir cinco ossuários, mas apenas três estavam ali — o que indica que os ossos de dois familiares haviam sido relegados a sacos de lixo.
Já haviam sido realizadas cinco exumações, todas acompanhadas por familiares, para remoção dos corpos dos caixões e alocação em ossuários, inclusive do adolescente de apenas 13 anos, filho da tia da autora.
Mesmo após o sepultamento, a família buscou a administração do cemitério, mas não obteve esclarecimentos. Já no dia seguinte, a família ainda precisou reabrir o jazigo, acompanhado por funcionários, para tentar identificar de forma improvisada a quem pertenciam os restos mortais, visto que as placas estavam ilegíveis.
Queremos chamar atenção para que essa situação nunca mais se repita. Foi muito doloroso para todo mundo. Para além de toda questão sentimental envolvida, que jamais será reparada, o cemitério é pago e tem um custo muito alto", afirmou um membro da família.
O BNews procurou o Cemitério Jardim da Saudade e em contato com a advogada do local foi informado que não foi recebida nenhuma notificiação. No entanto, a representante ficou de enviar um posicionamento oficial, o que não aconteceu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto e a matéria será atualizada em caso de eventual manifestação futura.
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